Vultos da Parnaíba - Poeta Jeanete de Moraes Souza (1911 - 1996)

Parnaíba, litoral do Piauí

Nascida na Rua Grande da Parnaíba, hoje Avenida Presidente Getúlio Vargas - onde funcionou o Cassino 24 de Janeiro -  a escritora Joana de Moraes Souza (1911-1996), que tempos depois ficaria conhecida como Jeanete de Moraes Souza, em homenagem a heroína e santa Joana D'Arc da França, foi exemplo também de líder religiosa e humana na Parnaíba.

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(Cassino 24 de Janeiro, na Parnaíba, costa norte do Piauí)

 

Escreveu ensaios, estudos sobre religião, peças de teatro, romances, crônicas, memórias de viagens e poemas, sobressaindo MEU TESTAMENTO, com versos de imensa sabedoria e compaixão.

Dentre os seus livros: A Vida, um Hino de Amor; Aconselhando Casais; Diário de Maria Beatriz; Crônicas de Viagem; Sofrimento; Poemas de Amor e Saudade; Poesia e Vida de Francisco Ayres; além de extensa dramaturgia encenada na Parnaíba durante a década de 1950: Matei a Alma de Minha Mulher; Caco de Vidro; Quebradeira não é doença.

 

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(Rua Grande da Parnaíba)

 

Jeanete de Moraes Souza colaborou em jornais e em revistas da Parnaíba e do Rio de Janeiro, com seus pensamentos fraternos e artísticos. É mãe do atual Prefeito da Parnaíba, Francisco de Assis Moraes Souza (Mão Santa), que se tornou um político piauiense de renome internacional, por causa dos seus discursos consistentes, pertinentes e visionários no Senado Federal.

Jeanete de Moraes Souza, no fim da década de 20 do século passado, foi aluna do Frei Marcelino de Milão, sendo este o responsável pela frase "Imitai Jeanete", quando em suas aulas explicava o filme francês sobre Joana D'Arc, intitulado La Passion de Jeanne D'Arc (1928), que rendeu a Joana da Parnaíba, por sua caridade cristã e conduta moral, a alcunha de JEANETE.

Joana ou Jeanete de Moraes Souza pertenceu a Academia Parnaibana de Letras, onde ocupou a cadeira de número 10, que tem como patrono o Poeta Francisco Ayres.

 

 

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(Jeanete de Moraes Souza)

 

 

 

Meu Testamento


Quando percebi que tinha meus dias contados,
que minha vida, rapidamente, chegaria ao fim,
pensei em fazer meu testamento.
Dei balanços em tudo que possuía,
contei casas, contei dinheiro,
meus livros - grande tesouro!
Meus ricos pertences, minhas antiguidades...
Depois... somei tudo
e vi que tudo era nada!
Cacarecos sem valor,
coisas inúteis, supérfluas,
expostas às calamidades,
aos riscos de incêndio
e dos ladrões.
Para que testamentar
esses bens que se podem acabar,
que as traças podem roer
ou o fogo devorar,
se outros bem imperecíveis
eu consegui amealhar?
Senhor, Tu mesmo disseste
que nenhum copo d'água 
dado ao menor irmão
ficaria sem recompensa
no reino do Teu Pai.
Nos celeiros eternos
vou procurar guardar 
outras riquezas,
não as da terra!
Meus filhos não herdarão de mim
castelos, nem fazendas,
nem ricas propriedades...
Não deixarei ouro, nem prata,
nem dinheiro em caixas fortes...
Tudo é vaidade sobre a terra
nada há que sempre dure...
Tudo sem valor que me seduza.
Meu testamento é minha fé,
é a minha esperança,
é todo o meu amor!
Que meus filhos possam herdar de mim
todo o bem dessa fé
que foi a minha luz,
mais clara e mais querida,
dessa esperança  que foi a minha força,
dessa caridade
que me fez ver Deus
em todas as pessoas,
em tudo o que existe
e Dele provém.
Caridade que é amor
Amor que é vida.

 

 

 

 

 

 

(Livro publicado pela Editora Vozes, de reputação nacional)

 

 

Poema de Jeanete de Moraes Souza

Minuta de Diego Mendes Sousa

Por: artes