Outra Canção do Exílio - Poema de Diego Mendes Sousa

OUTRA CANÇÃO DO EXÍLIO

 

Minha terra tem xananas, 
onde não pode 
o bem-te-vi cantar.

 

Por encontrarem-se no chão, as xananas, 

sombras também 

não podem dar.

 

O céu é um clarão magoado. 
A fazenda Várzea, 
que conheço, 
não tem ainda tantas flores assim. 
No Cantagalo, com a estrela Altair vivo, porque de amor 
estou completo e extasiado.

 

Em amar o verde olhar, sozinho,
às claras, 
vou a mostrar as maravilhas da Parnaíba 
de lagoas, de dunas, de caranguejos, de siris, de rios, de mar...

 

Minha terra tem xananas,

mas não pode nem nunca poderá

o bem-te-vi nelas cantar.

 

Minha terra tem carnaúbas,
que não hei de por aí encontrar.

 

Carnaúbas de largas palhas,

que com os ventos e as chuvas

cantam que nem sabiá.

 

Meu Deus, se a morte sorrateira antes do tempo chegar, 
permita que uma prece, sem pressa, eu faça, 
para que a amargura 
que sinto
por terra
se desfaça.

 

Minha terra recôndita tem cajueiros,

que em copas altas, cajus dulcíssimos pode dar.

 

Poema de Diego Mendes Sousa