Indigenismo Humanitário - Crônica de Diego Mendes Sousa

Marechal Rondon

Defendo o Indigenismo Humanitário, conceito adjetivo inventado por este escriba humanista.

 

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INDIGENISMO HUMANITÁRIO

 

 

Diego Mendes Sousa

 

 

Como sou Rondoniano, herdeiro da coragem e do humanismo do Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, e este também, detentor do pensamento “Morrer se preciso for, matar nunca”, inspira-me relações profundas pela causa indígena.

Defendo o Indigenismo Humanitário, conceito adjetivo inventado por este escriba humanista.

 

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Na recepção da sede da Fundação Nacional do Índio (Funai), na cidade de Cruzeiro do Sul, no Estado do Acre, onde hoje atuo como Indigenista Especializado, deparei-me com um grupo de brasileiros e estrangeiros, dentre eles, franceses e alemães, que buscavam autorização para ingressarem em terra indígena e, com isso, aprenderem e conviverem com os prazeres exóticos dos nativos do Vale do Juruá, floresta amazônica.

Neste ínterim, eu coletava – entristecido - alimentos perecíveis no almoxarifado do Órgão e preparava, sozinho, cestas básicas para distribuição aos indígenas em vulnerabilidade social, quando um rapaz loiro, alto, olhos claros e com perfil dos ‘States’, mas falando fluente o Português, indagou-me sobre o que estava a fazer com tantos alimentos.

Respondi em tom seco e de revolta: “iremos doar aos indígenas Kulina e Ashaninka que vivem sofridos, na extrema miséria, no município de Feijó, às margens do Rio Envira.”

Detalhe, os Kulina são chamados de Madija (madirrá), que significa ‘os que são gente’. E imperdoável, ironicamente, eles viverem humilhados e massacrados.

O Norte Americano ficou mudo.

 

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Creio que tenha sido o choque brutal das minhas palavras reais. Ele carregava uma larga mochila, própria para expedição e, pelo que percebi, já havia participado de rituais indígenas pelos rincões do Acre.

O susto dele era esperado, afinal, o que é vendido aos visitantes é o colorido dos imensos e belos cocares ao ritmo dos barulhos silenciosos da natureza, bem como os grandes “festivais” patrocinados pelo turismo ecológico, a troco de poucos e muitas vezes a interesses outros, que são minados por política financeira ao cofre do não índio.

 

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Sei, desde cedo, da sabedoria popular, que contra fatos não há argumentos. E a caridade, como em São Francisco, deve pautar os nossos atos como seres humanos: quem dá aos pobres, empresta a Deus!

 

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Crônica de Diego Mendes Sousa

Fotografias de Diego Mendes Sousa