A Literatura está em Festa - Datas Memoráveis em 2019

Antonio Olinto com os escritores Jorge Amado e Zélia Gattai

Em 2019, festeja-se a boa literatura produzida por Antonio Olinto, assim como o rio literário de Edir Meirelles, de Cyro de Mattos e de Celso de Alencar.

 

 

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100 anos do nascimento de ANTONIO OLINTO (1919-2009)

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Soneto de natal

 

"Mudaria o Natal ou mudei eu?"
Machado de Assis



Mudaria o Natal ou mudo iria
Mudar sempre o menino o mundo em tudo?
Ou fui só quem mudei, e meu escudo
Novidadeiro, múltiplo, daria
Ao mudadiço mito da alegria
Em noite tão mutável jeito mudo?
O homem é mudador, muda de estudo,
De mucama, de verso, pouso, dia,
Porque a muda modula esse desnudo
Renascimento em palha, e molda e afia
O instrumento da troca, o fim miúdo,
A noite amena erguendo-se em poesia.
Mudei eu sempre sem saber que mudo
Ou somente o Natal me mudaria?

Nova York, Natal de 1965

 

Poema de Antonio Olinto

 

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80 anos do nascimento de EDIR MEIRELLES (1939-)

 

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Poema Troncho


 

 

Um regurgitar botânico
me induz a uma dedução
apressada

 

apresada em meu íntimo
como o verniz na matéria
envelhecida

 

o envilecimento turge o espírito
e decodifica a metafísica
a meta fica desmistificada
e a alma se petrifica
coisificada

 

a coisa ficada em natura
se fixa e perde a elasticidade
do obtuso pensamento

 

o passamento é fato do passado
no passadiço do fuso horário
do universo sem hora

 

senhora dos meus sonhos
a musa rouba-me
o inconsciente

 

estou ciente de minhas deficiências
e fraquezas de amante
o diamante é mineral bruto
                                     que se faz preciosidade                                                    após ser lapidado

 

do lápis dado não se muda
o grafite e nem mesmo o traço
por isso o poema troncho – faço.

 

Poema de Edir Meirelles

 

 

 

 

 

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80 anos do nascimento de CYRO DE MATTOS (1939-)

 

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ANOTAÇÕES SOBRE O RIO



O eterno passa
linha e curva
o sono das águas

uma só manhã
bugre e ave
o baile das águas

o lombo escorre
o grito e a flecha
a mancha nas águas

cantiga à margem
terra e nuvem
a dádiva nas águas

repetido réptil
fundamento e escama
o azul nas águas

residência última
o sonho e o mar
na deságua

tão ser tão pedra tão água

 

Poema de Cyro de Mattos

 

 

 

 

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70 anos do nascimento de Celso de Alencar (1949-)

 

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POEMA PARA UMA MULHER QUE PINTAVA

OS LÁBIOS ANTES DO AMANHECER

 

 

 

                    Os morangos se avermelham

                    nos galhos tortos das árvores.

                    As águas enlouquecem nos rios.

                    Consola-te contigo dentro

                    da sagrada e branca bolsa

                    que se deslumbra e se encerra em ti.

 

                    Olha os pássaros que cantam

                    como pequenas gralhas na minha boca

                    e caminham sobre os meus ombros

                    como se uma ponte houvesse em mim.

 

                   Consola-te contigo.

                   Come os frutos que avermelham

                   os teus lábios e os teus dentes.

                   Levanta os teus sapatos

                   e transforma-os em sinetas de navios.

                   Hoje, somente no orvalho de hoje,

                   porque, tu, amanhã,

                   te encerrarás em ti.

 

 

 

 

 

 

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Minuta de Diego Mendes Sousa