Respeito e Resignação nos Madija - Crônica de Diego Mendes Sousa

Família Indígena vivente do Acre

Os indígenas Madija ou Madiha, cuja pronúncia é Madirrá, causaram-me enorme surpresa!

 

 

 

 

RESPEITO E RESIGNAÇÃO NOS MADIJA

 

Diego Mendes Sousa

 

 

 

 

Nas adversidades da vida, para quem enfrenta a fome cara a cara, deparar-se com farta quantidade de alimentos gera reações esperadas: ou atacar ou pedir ou furtar.

Os indígenas Madija ou Madiha, cuja pronúncia é Madirrá, causaram-me enorme surpresa!

Nunca tinha visto tanta Resignação, essa forma de desistência brutal ante as dores e os sofrimentos permanentes enfrentados no existir.

O branco civilizado - posso estar equivocado - teria a atitude natural de acometer a fila, de assaltar o carregamento de esperança, que levávamos no lombo de ferro do veículo.

Mas não, os Madirrá estavam ali, de maneira indiana, não falavam a Língua de Camões. Somente entendiam gestos.

Também eu desconhecia a Língua deles, a Kulina, com exceção de raríssimas palavras delicadas, como dsamarini {o habitat da água}, nami {terra} e meme {céu}.

 

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Para esses indígenas que convivem bem com os Ashaninka, a ponto de ter identificado Madija, vestido de Ashaninka, pois estes, tradicionalmente, usam túnicas e, aqueles, roupas coloridíssimas, mas normais ao citadino comum, como vestidos, saias, blusas, bermudas e camisas.

Algo mais me chamou a atenção: os Pés Descalços e Achatados. Lembrei-me da procissão de São Francisco de Assis na minha Parnaíba (Piauí) natal.

Os Madija pisam na terra acreana sem medo. O lamaçal onde moram em suas ‘pilotis’ precárias, à beira de rio... Nos casebres com teto de palha, privam sogro e genro e filhos. Famílias enormes, mais de dez, conforme o ritual desse povo.

Decerto, há uma sofreguidão nos Madiha que ainda desconheço. Sei que aprendi. Eles nos ensinam sem saber se a gente se redime diante do impossível; uma aula digna e soberana sobre o intolerável.

 

Crônica de Diego Mendes Sousa

Fotografias de Diego Mendes Sousa e Altair Marinho