As Túnicas dos Ashaninka - Crônica de Diego Mendes Sousa

Família Ashaninka do Estado do Acre

Estávamos sob a fluência do Rio Envira, mas também sabia da existência dos Ashaninka do Rio Breu, do Igarapé Primavera e os do Rio Amônia, onde vive o estro de Milton Nascimento, Benki, consagrado no fino álbum Txai.

 

AS TÚNICAS DOS ASHANINKA

 

Diego Mendes Sousa

 

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Desembarcamos do carro, no centro de Feijó, no Acre, próximo ao mercado público.

Rapidamente, atraídos por uma quantidade expressiva de alimentos que carregávamos na carroceria do veículo, diversos indígenas - homens, mulheres e crianças - inclusive de colo, começaram a nos cercar.

Altair estava enfeitiçada com as cores dos povos Ashaninka, que pela influência peruana originária, usam túnicas.

 

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Estávamos sob a fluência do Rio Envira, mas também sabia da existência dos Ashaninka do Rio Breu, do Igarapé Primavera e os do Rio Amônia, onde vive o estro de Milton Nascimento, Benki, consagrado no fino álbum Txai.

Observei em detalhes, vi túnicas pretas, marrons, amarelas, azuis claras, vermelhas, outras de tons ocres ou crus e até mesmo multicoloridas.

Essa roupa exótica os protege das adversidades vividas.

O fascínio, a emoção mais profunda, ocorreu quando os tocamos em saudação, além do sorriso espontâneo no rosto de cada um deles.

Quanta energia contida nessa gente, que apesar da opressão social, emanava fluídos extraordinários!

Altair não escondia a felicidade no olhar e nos gestos.

Tão inacreditável, que me disse encantada, "peguei na mão de um autêntico índio!"

Não contive a comoção interior.

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Os txais passaram a residir em nós. E para curiosidade do leitor não iniciado no xamanismo, revelo o significado da fortaleza anímica da sonora expressão indígena Txai: "mais que amigo, mais que irmão, a metade de mim que habita em você, a metade de você que habita em mim".

 

 

Crônica de Diego Mendes Sousa

Fotografias de Diego Mendes Sousa e Altair Marinho