Dossel da Primavera Invisível - Poema de Diego Mendes Sousa

Diego Mendes Sousa

Quanto mais amadurece, mais Diego Mendes Sousa deixa claro, em sua obra, aquela convivência pacífica entre o apolíneo e o dionisíaco. O primeiro, na busca incessante da perfeição da forma literária. O segundo, naquele dizer sem reserva a tudo quanto é problemático e estranho na existência e, principalmente, na desesperada entrega de seu amor.

Depoimento de Darcy França Denófrio

 

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DOSSEL DA PRIMAVERA INVISÍVEL

 

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Há muito,
a mocidade das quimeras
acena a sua dor de beleza
estrangulada.

O pequerrucho recolhera
jambos, carambolas e pitangas
na miragem do passado.

- Estrelinhas, de preferência as amarelas!
E a boca avermelhada pelo perfume azedo
dos frutos caídos de maduro, agora lembro,
na estrada que levara a sua tristeza luzidia
até o estirão do rio da sua infância alegre.

Guarda em segredo a folhagem
que a vida espalha fugidia
sobre a invisível aragem
no andamento do mistério eterno.

E os sonhos são pedrarias
atiradas na clareira da alma
em travessia.

Há muito,
e é em demasia o Tempo de Deus,
o horizonte sob tempestades
sempre se rasgara em clarões.

A criança vira, espantada,
a artilharia da poesia furiosa
a sangrar os seus olhos de cereja
na galantaria de um nevoeiro
- que cercara o coração amargo
e os cavalos despencaram
na aurora da serrania em magia
que circundara o jasmineiro
do seu quintal hoje esquecido.

A primavera é transitória
e passageira, bem sei de mim,
no mar que naufrago balzaquiano
as palavras temporãs!
Todavia a floresta interior
respira jovem!

 

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Vem
e levanta e caminha e mira
e apossa a terra de dentro,
pequenino,
que a febre do seu retiro acre
de girassóis e de xananas
e de outras doces florezinhas reveladas
- assim como a tarde precoce que morre -
também suporta silêncios que sofrem.

 

Poema de Diego Mendes Sousa
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