Pesamento Dança de Igor Fagundes

Capa de Pensamento Dança de Igor Fagundes

Quem diria que a poesia, depois de seu histórico afastamento da filosofia e da ciência, suscitaria uma discussão teórica em torno da dança? Conjugando pensamento e corpo, Igor Fagundes que é poeta, ensaísta e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde coordena o curso de Teoria da Dança – reflete sobre as possibilidades de crítica e tradução do dançar em literatura e vice-versa, fugindo de paradigmas que contrapõem ciência e arte no ocidente.

 

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pensamento dança

IGOR FAGUNDES REÚNE POESIA E DANÇA

EM LIVRO ONDE O POEMA PENSA AS ARTES DO CORPO

 

Igor Fagundes é das maiores inteligências poéticas da literatura brasileira contemporânea. E sublinho tanto o substantivo quanto o adjetivo. Sua capacidade de produção é extraordinária. Poucos conseguem conciliar qualidade e extensão como faz. E, quando digo ‘poucos’, ainda estou exagerando.

 

Antonio Carlos Secchin

(poeta, ensaísta, professor emérito da UFRJ,

membro da Academia Brasileira de Letras)

 

 

 

 

 

Quem diria que a poesia, depois de seu histórico afastamento da filosofia e da ciência, suscitaria uma discussão teórica em torno da dança? Conjugando pensamento e corpo, Igor Fagundes que é poeta, ensaísta e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde coordena o curso de Teoria da Dança – reflete sobre as possibilidades de crítica e tradução do dançar em literatura e vice-versa, fugindo de paradigmas que contrapõem ciência e arte no ocidente. Diz o autor: “No grego, a palavra ‘teoria’ compreendia originalmente a ‘prática’ dos poetas, dos dançarinos. Assim, não é só a dança que requer uma escrita capaz de pensá-la resguardando o movimento na experiência literária. Não é só o escrever que precisa dançar, para que pense e flexibilize a rigidez conceitual por meio de ritmos, imagens, metáforas. É a dança mesma que precisamos reconhecer como pensamento; uma escrita diversa, na qual o corpo é palavra”.

 

 

Esses são um dos muitos assuntos de pensamento dança, nono livro do autor. A obra vem a público depois do premiado Poética na incorporação – Maria Bethânia, José Inácio Vieira de Melo e o Ocidente na encruzilhada de Exu, de 2016, no qual o discurso teórico e ensaístico vinha, em caminho inverso, contaminado pela poesia. Apresentada, de início, como tese de doutorado não convencional a respeito do sagrado, a obra desconstruía o científico e o religioso na linguagem poética. Mas, de acordo com Fagundes, pensamento dança dialoga também com seu último livro de poemas, zero ponto zero, de 2010. Neste, o campo da matemática se afirmava e ao mesmo tempo se negava no pensar poético: “Enquanto em zero ponto zero havia uma irônica numerofilia, que denunciava certa numeropatia de nossas existências, existe em pensamento dança uma acidental numerologia: são 72 poemas inéditos e 27 já publicados, mas modificados pelo tema da dança. Em 72 e 27, temos: 7+2=9; 2+7=9, do mesmo modo que o número total de poemas do livro (99) culmina em 9 (9+9 = 18; 1+8=9). Trata-se de algarismo dominante no meu mapa numerológico”, conta o autor, sinalizando que “nove” é o número de sua data de nascimento, do nome literário Igor Fagundes e do nome completo Igor Teixeira Silva Fagundes. É um algarismo da maturidade, que demarca o encerrar de um ciclo e início de outro, assim como 99 poemas anunciam o término da casa das dezenas e prenunciam a das centenas, erguendo uma parede bem-acabada diante do número 100”, diz, referindo-se a seu livro Sete mil tijolos e uma parede inacabada, de 2004.

Dividido em três seções, “Ensaio”, “Estreia” e “Reestreia”, a obra traz na fortuna crítica depoimentos de escritores consagrados, como Antonio Carlos Secchin e Astrid Cabral. O livro trava ainda um diálogo com poetas da literatura em língua portuguesa transportados para o universo da dança, do mesmo modo como ícones da história da dança são transportados para o universo da literatura, misturando-se a personagens e práticas corporais não eurocêntricas: “Porque a dança não é só o texto; muitas vezes é o contexto ou o pretexto para discutir relações étnico-raciais, de gênero e outras questões de ordem política, cultural e existencial”, finaliza o autor.

 

Sobre Igor Fagundes:

 

Poeta, ensaísta e crítico literário com mais de 60 prêmios em concursos e festivais literários no país. É doutor em Poética e professor da UFRJ, onde coordena atualmente o Bacharelado em Teoria da Dança. Como poeta, publicou Tranversais (2000), Sete mil tijolos e uma parede inacabada (2004), Por uma gênese do horizonte (2006/ Prêmio Literário Livraria Asabeça), zero ponto zero (2010). Como ensaísta, assinou Os poetas estão vivos – pensamento poético e poesia brasileira no século XXI (2008/Prêmio Literário Cidade de Manaus: Melhor Ensaio de Literatura), Permanecer silêncio (2011), 33 motivos para um crítico amar a poesia hoje (2011) e Poética na incorporação (2016/Prêmio Afrânio Coutinho de Ensaio da UBE-RJ). Ajudou a editar e colaborou com mais de 30 estudos sobre variados temas e autores, abrangendo nomes da literatura, da música (Chico Buarque e Maria Bethânia) e da dança (como Pina Bausch).

 

Serviço:

Título: pensamento dança

Autor: Igor Fagundes

Editora: Penalux

Páginas: 194 (Capa dura, miolo em pólen)

Disponível: www.editorapenalux.com.br/loja

 

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Minuta de Diego Mendes Sousa

Fonte: Editora Penalux