


Igreja da Padroeira da Parnaíba
O presente artigo foi escrito por RENATO NEVES MARQUES, é uma reflexão sobre nossa história:
Tendo em vista o artigo “Nossa Senhora da Graça 240 anos da Catedral”, de autoria da Sra. Sólima Genuína, publicado no jornal “O Bembém”, n.31, de julho/2010,
a recente publicação no site do Proparnaiba sobre a comemoração da Igreja relativa aos 240 anos da Matriz, e considerando que contém informações totalmente divergentes dos documentos existentes em São Luís (MA), resolvi, a título de esclarecimento, reeditar meu artigo “IGREJA MATRIZ, 220 ANOS DA BENÇÃO E DA DEVOÇÃO A NOSSA SENHORA DA GRAÇA”, publicado no jornal “Norte do Piauí”, edição nº 3.494, de 12 a 18.09.1997. A saber:
Entre as poucas capelas e oratórios particulares e públicos existentes na Vila São João da Parnaíba, no ano 1775, havia uma antiga capela já derrotada onde se encontrava uma imagem de Nossa Senhora da Graça. O local desta capela é desconhecido e não informam os documentos da Sé de São Luís.
Desejando os moradores ter a sua igreja procuraram João Paulo Diniz para sua edificação, ficando acertado que concorreriam com esmolas suficientes para sua ereção. Verificando João Paulo Diniz que as esmolas não eram suficientes e tendo gasto de sua fazenda vários mil cruzados, convocou o povo, Senado e Reverendo Pároco na Casa da Câmara. Nessa reunião, realizada no dia 24 de agosto de 1775, “foi dito que ele tinha a sua conta fazer uma Igreja” que “tendo ele gasto muito mais do que tem recebido não era possível continuar na dita obra, e só faria se o povo desistisse de qualquer direito que nela lhe pertencesse”, e “nesse caso faria a Capela-mor”. Acordaram todos na desistência do direito na futura Capela-mor, ficando o corpo da igreja pertencendo ao Pároco. Lavrada a ata da reunião, foi solicitado a Sé de São Luís a devida permissão para a construção da Igreja, cujo despacho favorável foi dado no dia 26 de maio de 1776 e nele reconhecendo João Paulo Diniz como verdadeiro fundador da dita Capela maior gozando como tal ele e seus descendentes de todos os privilégios.
Para o perfeito funcionamento religioso e necessário aos trabalhos do vigário foi fundado em janeiro de 1777 a irmandade de Nossa Senhora da Graça, que veio a funcionar após o término da construção e benção da igreja. Em atendimento as exigências da Sé de São Luís, no dia 27 de junho de 1777 foi lavrada a Escritura de Patrimônio em que ele João Paulo Diniz e sua mulher D. Rosa Maria Pereira de Castro faziam de patrimônio seis mil réis anuais em parte dos rendimentos de sua morada de casas que tinham na praça da vila. Consta na referida escritura: “Que lhes provinham do zelo e fervor com que edificaram nesta vila a nova Capela Mor em que se a de colocar Nossa Senhora da Graça de suas livres e espontâneas vontades”.
Concluída a construção em junho de 1777, lavrada a Escritura de Patrimônio no dia 26 e cumpridas todas as formalidades legais, foi solicitado a Sé de São Luís a Provisão de aprovação da construção da Capela de Nossa Senhora da Graça. No dia 1.º de agosto de 1777 a Sé de São Luís lavrou a “Provisão de Registro de Aprovação da Capela de Nossa Senhora da Graça da Vila de S. João da Parnaíba”, em cujo documento se registrou: “E sendo por nós atendido o seu requerimento, mandamos o presente, pelo qual damos comissão e mandamos a Reverendo Vigário Colado José Lopes Pereira e na sua ausência a quem suas vezes fizer, visite a dita Capela mor da Nova Igreja e estando esta acabada, e com os paramentos necessários, a benza na forma do Ritual Romano de que passará certidão junta a esta. E sendo assim visitada, e benta a dita Capela, aprovamos autorizada ordinária, para nela se poderem celebrar os ofícios divinos e mais funções eclesiásticas e tudo sem prejuízo dos direitos paroquiais”.
No dia 6 de setembro de 1777 foi benta a Capela-mor e automaticamente toda a Igreja, cuja benção foi assistida por quatro sacerdotes conforme consta na Certidão: “Ignácio Rodrigues Ferreira Presbítero Secular certifico que (...) aprovado Reverendo Vigário Colado José Lopes Pereira por se achar ausente desta vila, visitei, e benzi na forma do Ritual Romano Capela mor da Nova Igreja Assistida por quatro (4) sacerdotes, e por ser verdade passei a presente certidão de mandado do Ilustríssimo e Revmo. Sr. Cabido in fide Parochi cujas vezes estou fazendo. Vila de S. João, 6 de setembro de 1777. Ignácio Rodrigues Ferreira”.
No dia 8 de janeiro de 1778, foi lavrado pela Sé o Registro de Provisão de aprovação da Capela de Nossa Senhora da Graça e no dia 5 de setembro do mesmo ano o Registro de Provisão de Fundador e Dotador da Capela-mor da Capela de Nossa Senhora da Graça passado ao Mestre de Campo João Paulo Diniz.
Inicialmente a igreja era só um corpo central com seu altar-mor, sendo construída depois a Capela do Santíssimo e a do Bom Jesus dos Passos.
A Capela de Nossa Senhora da Graça só veio a ser considerada como Igreja e Matriz quando o Bispo do Maranhão, D. Luís de Brito Homem, em 1805, desmembrou a freguesia de Piracuruca para criar a freguesia de Parnaíba.
Fica esclarecido de que não tem fundamento à informação de ter sido o altar-mor trazido de Piracuruca, como tendo pertencido a Igreja de Nossa Senhora do Carmo.
Diante dos fatos apresentados, no próximo dia 6 de setembro, em plena festividade da nossa padroeira, a Igreja Matriz com sua Capela-mor estará fazendo 220 anos que foi benta. Foi a partir do dia 6 de setembro de 1777 que teve início na atual Matriz os ofícios divinos e oficialmente a devoção a Nossa Senhora da Graça. Esta é uma data importante a ser comemorada por todos paroquianos e devotos da nossa Mãe e Padroeira. Que o dia 6 de setembro seja comemorado com todas as honras que a Igreja Matriz merece, e principalmente a nossa Mãe da Divina Graça.
Mais uma vez os meus sinceros agradecimentos ao Sr. Mário Martins, MD. Diretor do Arquivo da Sé de São Luís pela remessa de novos documentos da Igreja, entre eles a certidão de casamento de Simplício Dias da Silva e o relatório de visita as igrejas do norte do Piauí e de algumas maranhenses.
BIBLIOGRAFIA
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Documentos existentes no arquivo da Sé de São Luís (MA), na pasta de Provisão Diversa 1766/82, entre eles:
1.
Ata da Câmara da Vila São João da Parnaíba, datada de 24.08.1775;
2.
Licença da Sé de São Luís, datada de 26.03.1776;
3.
Escritura de Patrimônio feita por João Paulo Diniz e esposa, datada de 27.06.1777;
4.
Registro de Profissão de aprovação da Capela de Nossa Senhora da Graça, datada de 01.08.1777;
5.
Certidão de benção, datada de 06.09.1777;
6.
Registro de aprovação da Capela de Nossa Senhora da Graça, datada de 08.01.1778;
7.
Registro de Provisão de fundador e dotador da Capela-mor de Nossa Senhora da Graça, datada de 05.09.1778, a João Paulo Diniz.
Nenhuma culpa pelas informações equivocadas cabe a Sra. Sólima Genuína e nem tão pouco aos responsáveis pela comemoração tendo em vista que os historiadores e escritores que nos precederam não tiveram o cuidado ou interesse em pesquisar os documentos existentes em São Luís (MA), época em que estavam bem conservados. Pereira da Costa na sua Cronologia também se enganou, principalmente quando afirma que a igreja levou 25 anos para ser construída. Enganaram-se também Judith Santana, Cláudio Bastos, Mons. Roberto Lopes, Caio Passos.
Pela documentação verifica-se que a imagem estava em Parnaíba numa pequena capela em ruína, provando que nunca esteve guardada em Piracuruca. Não houve nenhuma contribuição financeira de Domingos Dias da Silva conforme documentação e não cabe a ele o privilégio da sua construção. Ele apenas construiu depois a Capela do Santíssimo, na época chamada de Capela da Adorável Sacristia. A Capela de Bom Jesus dos Passos, construída também depois, foi edificada pelo Senado da Câmara.
A data 1770 existente na frente da Igreja refere-se ao ano de transferência da sede da vila de Testa Branca para o Porto das Barcas, e não a data do início da sua construção.
Em toda documentação, inclusive o ofício assinados pelos moradores de Parnaíba, Amarração (atual Luiz Correia) e de Buriti dos Lopes, solicitando ao Papa Leão XIII a criação do bispado em Parnaíba, consta como orago Nossa Senhora da Graça. Documento recentemente citado pelo Senhor Bispo D. Alfredo Schaffler dá como Nossa Senhora Mãe da Divina Graça. Realmente é a Santíssima Virgem Maria a Mãe da Divina Graça e ela todo nosso respeito, devoção e amor. O que chama a atenção é o tempo que se passou desde o Papa Leão XIII (1879/1903) a Pio XII (1939/1958) para o deferimento do ofício de Parnaíba. Ente Leão XIII e Pio XII houve os papas Bento XV ou Benedito XV (1914/1922), Pio XI (1922/1939).
Como se diz num bom latim: auctori incumbit onus probandi.
Logo mais estarei publicando novamente o meu artigo de 1998 sobre a data 1770.
Mais uma vez afirmo que não sou dono da verdade e não pretendo ser. Não se pode dizer que toda pesquisa esteja cem por cento corretos, pois muitos documentos não pesquisados poderão mudar o que já se escreveu.
Dia dos beatos: Liberato, Franciscano; Beato Pascual Torres Lloret, mártir.
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