


Quem observa com toda a isenção o trabalho dos vereadores de Parnaíba, tem a impressão de que é irrelevante quase tudo o que fazem.E, por conseguinte, o contribuinte parnaibano está pagando caro demais para ter no Poder Legislativo 11 senhores que trabalham em média 8 dias por mês e custam quase 20 mil reais/mês aos cofres públicos.
O que me remeteu a essa reflexão foi um recente trabalho feito na Assembléia Legislativa pela deputada estadual Lilian Martins, sobre o que o Legislativa Estadual havia aprovado em termos de leis, nos últimos 20 anos. E ela constatou que de 176 leis, de autoria dos nobres deputados, apenas 39 estavam sendo cumpridas de forma efetiva, porém sem a devida fiscalização dos órgãos executivos. Na avaliação da deputada não entram leis salariais, de reforma administrativa, leis de orçamento, enfim, aquilo que é o trivial da administração pública.
Lá e cá
Mas na Assembléia pelo menos vez por outra algum deputado vai à tribuna para discursar; falar alguma coisa importante, que repercute na imprensa; um ou outro levanta uma questão séria, de interesse da população, embasado em dados concretos.
Aqui, na Câmara Municipal de Parnaíba, no horário utilizado para as explicações pessoais, em que eventualmente algum vereador usa a tribuna para fazer um discurso, deles que se levantam e deselegantemente vão embora, como se dessem graças a Deus não terem mais obrigação nenhuma de permanecer na sessão. Sim, porque no regimento interno há um ítem que diz isso: na hora das explicações pessoais o vereador não tem obrigação de ficar ouvindo o colega. E já houve caso em que apenas o presidente e o secretário da Mesa, para não deixarem o colega ficar só, ficaram para ouvi-lo. E se não fosse às vezes a presença da imprensa, talvez eles também dessem as costas para o colega e o deixassem falando para as paredes.
Até mesmo quando das discussões das matérias, em que são permitidos apartes, eles acontecem geralmente somente quando tem platéia ou aTV Delta comparece lá. Consideremos que xistem excessões, como em toda a regra.
Leis e Requerimentos
Os vereadores mais velhos sabem que prefeito algum deu muita atenção para famosos requerimento, que alguns apresentam à fole. E tem vereador besta que "taca" a fazer requeimento para justificar o mandato. Retorno que é bom, quase nenhum. E tem aqueles mais sabidos, que vivem zanzando pelos corredores da prefeitura, e quando ouvem falar que o prefeito vai fazer determinada obra em algum bairro, vai lá e apresenta o requerimento para dizer para a população que a obra foi feita em função da solicitação dele, não é vereador Beto?!
Até mesmo as leis dando denominação de ruas, ficam meio perdidas, porque a prefeitura não faz a placa indicativa do novo nome. Daí a razão de muitas ruas projetadas já terem nomes de pessoas e a população não tem conhecimento. Até porque a Câmara não tem assessoria de imprensa que dê uma divulgação mínima a esses atos. E tudo fica entre 4 paredes.
Tem uma lei, por exemplo, que obriga o promovente de festas, tipo o Maluco, do "M" Shows, a contratarem artistas locais para se apresentarem, com um bom cachê, antes da atração principal, o que nunca aconteceu. Isso sem se falar na lei que dá prazo máximo para o cliente ficar em filas de bancos, etc.
Agora, para concluir: se você quiser conhecer quais as leis que o municipio possui, aprovadas nos últimos 10 anos, você não encontra. Uma lei de incentivo à cultura, do então vereador Moraes Sousa Filho, que deu condições à existência do Balé de Parnaíba, quando ele foi prefeito, a lei sumiu, ninguém sabe, ninguem viu. E a imprensa ainda não pode fazer nenhuma critica ao Legislativo. Os nobres edis batem os pés, fazem beicinho e dizem que vão processar (rsrsrsrsrsrs).
Fotos: Gilson Brito
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