


Bonito e "pomposo" o título da matéria "O Libertador de Cuba. O ajuste de contas da juventude Transviada", que está publicada na mais recente edição da revista Histórica, editada pelo Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Parnaíba - IHGGP.
O articulista inicia a matéria dizendo:" Os pretensos heróis da resistência à ditadura militar em Parnaíba tiveram como único e grande feito atearem fogo nos tapumes da quase centenária praça da Graça, que naquele 31 de agosto de 1979 estava em obras, na administração do prefeito Batista Silva".
Na verdade toda a pretensão está em quem pretendeu escrever sobre o que não conhece e a respeito de um episódio do qual não participou e nem procurou pesquisar a fundo a questão.
Desde a segunda edição do jornal mimeografado "Inovação" estávamos lá, assinando artigos, escrevendo o editorial ou outras notas do conteúdo político do jornal. Eu e o professor Reginaldo Ferreira da Costa (hoje em Palmas, no Tocantins), fundador do jornal, juntamente com o Franzé Ribeiro - o "Padroeiro", como era conhecido no bairro São José.
A história verdadeira
Verdadeiramente nenhum integrante do Movimento Cultural e Social Inovação tocou fogo nos tapumes da Praça da Graça. O que ocorreu foi que o jornal do movimento fazia uma violenta oposição ao governo municipal do peemedebista Batista Silva, principalmente por ele haver mandado destruir a Praça da Graça original, cercando-a de madeirite. As obras não tiveram prosseguimento por falta de recursos. Também identificamos, naquele tempo, focos de roubalheira,corrupção, por parte de alguns assessores do prefeito, daí a razão da oposição do jornal Inovação.
Mas o jornal não era só isso. Era também cultural, daí integrarem a equipe intelectuais como Alcenor Candeira Filho, Elmar Carvalho, Sólima Genuína, Ednólia Fontenele e muitos outros que participaram, colaboraram financeiramente, assinando o jornal, mesmo morando fora de Parnaíba, a exemplo de Diderot Mavignier, dentre outros.
O Jornal Inovação - perguntem ao Louro da banca de revistas da Praça da Graça, era o que mais vendia nas bancas, apesar de ser mimeografado. Os poetas da geração mimeógrafo surgidos à época, devem muito ao Inovação, que publicava suas produções. E foi a partir de Parnaíba que surgiu a geração mimeógrafo também em Teresina.
Os estudantes parnaibanos possuiam liderança na época. A ACEP - Associação Colegial dos Estudantes Parnaibanos existia, de fato e de direito. E o "jornalizinho, impresso de forma rudimentar", como cita o articulista, fez a cabeça da galera, no sentido de protestar contra aquele estado de coisas.
O Dia "D"
No dia do incêncio dos tapumes da praça, eu e o Reginaldo Costa tinhamos chegado de Teresina, por volta de 7:30hrs da noite. E por volta das 10 horas, chega às nossas casas, na rua Vera Cruz, o poeta Elmar Carvalho, que morava no prédio dos Correios, porque o pai dele era o chefe da repartição. E foi quem nos trouxe a noticia de que o povo havia tocado fogo na praça.
Nos deslocamos para o local, a tempo de vermos gente roubando luminárias da Praça, bancos, tábuas dos tapumes, enfim. E por estarmos naquele local fomos fotografados pelo correspondente do Jornal "O Dia", de Teresina e terminamos por ser acusados de autores do delito. Fomos processados pelo prefeito de então. Fui afastado do meu emprego na rádio Educadora de Parnaíba e o Reginaldo Costa passou a sofrer ameaças, chegando a ser espancado, a mando de políticos da época. E tínhamos naquele tempo entre 21 e 23 anos de idade.
Daí em diante muita gente apareceu se dizendo do movimento. Deles sem nunca haver participado de uma reunião. O jornalista Rubem Freitas era um dos que não gostava do jornal por causa do lema que usávamos: um jornal sem colunista social
Os heróis mumificados
O articulista da revista do IHGGP diz também em seu artigo: "hoje, esta batalha de paus, pedras e cacos de garrafa, considerada pelos seus protagonistas como a Queda da Bastilha na Parnaíba, em pleno século XX, não chamaria atenção se acontecesse numa cidade mais politizada. Os revolucinários daquele final de agosto de l979 se mumificaram..."
Meu caro, mumificaram-se apenas aqueles que se aproximaram do movimento para tirar proveito pessoal e dividendos politicos. Quem fazia parte do jornal, que não se conformava com a situação da cidade, continua por aí, angustiado, querendo que as coisas melhorem. Além do mais, de 1979 para cá nenhum movimento social e cultural mais importante aconteceu. Fizemos história e ainda estamos com o maior tesão para lutar para que as coisas melhorem na cidade. Agora, vamos combinar, a revista Histórica ganharia mais se contasse um dia esta histórica, para a sua geração.
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