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Rapidinhas

Segundo autoridades responsáveis, sempre houve arrombamentos e problemas de vandalismo nas escolas, porém nunca foi noticiado. As estatísticas apresentam, também, dezenas de processos administrativos por má conduta de vigilantes e que agora trabalha-se a modernização do setor em parceria com a PM.
O capitão Heleno Maia que tem 30 anos de experiência na execução de planejamentos de segurança e o ex-delegado da Polícia Federal, Francisco Mandes, respondem pela modernização da vigilância patrimonial da prefeitura. Eles disseram que a captura dos invasores das escolas é questão de pouco tempo.

Izânio

Jota A

Simplício Dias da Silva, Irmãos e o Templo


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Simplício Dias da Silva, irmão maçom usando o nome simbólico de Filósofo Pensador, em respeito ao trabalho dos iluministas franceses. Óleo sobre tela pertencente a Maria Helena Aquino de Seixas.

“Esta página tem por objetivos mostrar aos nossos ilustres visitantes alguns dos homens mais importantes da maçonaria, os quais de alguma maneira marcaram época. Homens que nunca conhecemos pessoalmente, mas que inexoravelmente fazem parte de livros de História, cujos exemplos nos levam à reflexão de que sempre devemos nos lembrar daqueles que, antes de nós, foram iniciados nos Augustos Mistérios da Arte Real e, com sua bravura, fizeram dela uma instituição digna de orgulho de todos os homens livres e de bons costumes”.

Com estas palavras, o site da Loja Fraternidade Serrana Nº 57 faz a sua introdução para apresentação de ilustres maçons brasileiros como: Hipólito José da Costa, José Bonifácio de Andrade e Silva, Joaquim de Gonçalves Ledo, Joaquim Nabuco, Euzébio de Queiroz, Deodoro da Fonseca e outros que, embora não sejam brasileiros, têm a sua importância na História do Brasil, como Dom Pedro I. Nessas listas de ilustres maçons brasileiros, costuma aparecer a figura do parnaibano Simplício Dias da Silva.



Placa de bronze colocada na parte externa da Capela do Santíssimo Sacramento na Catedral de Nossa Senhora Mãe da Divina Graça, Parnaíba, Piauí, por ocasião do 1º centenário da morte de Simplício Dias da Silva, em 17 de Setembro de 1929. Foto: Denis Carvalho


Perdida na poeira dos séculos está a origem dos pedreiros livres. Os elementos essenciais que criaram a maçonaria moderna surgiram na Escócia, entre 1590 e 1710, aonde apareceram os primeiros maçons, irmãos que deixaram antigos legados, na ênfase na moralidade, identificação da arte do pedreiro com a Geometria, a importância ao templo de Salomão e ao antigo Egito no desenvolvimento do ofício dos construtores. Em 1590, um proprietário de terra de Aberdeen, Escócia, teve confirmado a sua jurisdição hereditária sobre os maçons de seu condado, e em 1710, considera-se a criação de um grupo libertino e maçônico, em Haia, Holanda. 

Mas, três datas marcam a história da franco-maçonaria: 24 de junho de 1717, quando quatro lojas de Londres se reuniram formando a Grande Loja da Inglaterra, data onde deixou de ser Operativa, quando só pedreiros participavam e a organização ainda usava pergaminhos legais conhecidos como Old Charges, os Antigos Deveres, ou Antigas Constituições; o segundo período vai de 1717 até 1789, quando a maçonaria era Aristocrática; e a partir daí, quando a maçonaria passou a ser especulativa, fazendo uso do pensamento, no período chamado Democrático.
 
Muito provavelmente aceito e iniciado na Inglaterra, nos últimos dias do século XVIII, Simplício Dias da Silva passou a ser um verdadeiro irmão defensor das grandes causas e um maçom de relevo. Ao concluir a decoração de sua capela particular do Santíssimo Sacramento, na igreja de Nossa Senhora Mãe da Divina Graça, deixou impresso símbolos maçônicos, em conjuntos azulejares, em esculturas de madeira, lápides de mármore, e luminárias de ferro.
 

Azulejos da capela do Santíssimo Sacramento. No primeiro conjunto, o pelicano rasga o peito para com o próprio sangue alimentar os filhos, lema maçônico, onde um irmão deve ajudar a um necessitado, símbolo da caridade e do sacrifício. Ao lado, o cordeiro montado em cima do Livro dos Regimentos Gerais com suas medalhas na borda representando as sete virtudes, onde entra o valor à liberdade e o amor fraternal, pedras angulares da confraria. As sete medalhas também representam as sete artes liberais, ou sete ciências: gramática, retórica, lógica, aritmética, geometria, astronomia e música. Esta última arte liberal, muito provavelmente, influenciou Simplício Dias da Silva na criação de sua banda musical composta por escravos educados em Lisboa e Rio de Janeiro. O cordeiro é símbolo da paz e dos franco-maçons; e a cruz expressa imortalidade, fé e santidade.

O pé de trigo com suas espigas é símbolo do trabalho, da eterna criação, produz o pão, a pedra bruta.  A uva produz o vinho, a pólvora vermelha, bebida para a saudação, prescrita no banquete ritualístico. Durante as reuniões secretas em prol da Independência do Brasil, nas lojas maçônicas brasileiras, o pão de trigo e o vinho de uva, símbolos que remetiam a Metrópole portuguesa, foram substituídos pelo pão de mandioca e a aguardente de cana-de-açúcar, homenagem ao Brasil.

Agni, a chama do fogo eterno do conhecimento supremo, a centelha divina, o fogo do sacrifício, sinônimo de purificação, dissipador das impurezas; e a colmeia simbolizando o doce trabalho e a união pela causa comum, símbolo de operosidade e solidariedade nas cerimônias maçônicas.

Lápide do irmão Coronel João José de Salles, benemérito do Correio da Vila de São João da Parnahiba, criado em 1815, com a participação de irmãos como, Simplício Dias da Silva e Domingos José Martins, este chefe da Revolução Pernambucana de 1817, ao lado de Frei Caneca. O Correio ligava, no maior sigilo, os irmãos parnaibanos, aos irmãos do Ceará, e por consseguinte, aos de Pernambuco. A lápide mostra a figura de uma romã e a escultura, em pedra de Lióz, do oroboros; o primeiro representa a união simbolizada pelas suas sementes, e o segundo a eternidade, o ciclo da evolução, mas também relacionado com a alquimia. No epitáfio: respeiro e amor filial. Na Catedral de Nossa Senhora Mãe da Divina Graça, templo católico em Parnaíba, Piauí, protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN.   

Como estudante de Leis em Coimbra, Portugal, Simplício Dias da Silva, bem como os mazombos da época, retornavam da Europa impregnados de filosofias políticas, onde a nova ideia de liberdade enterrava o absolutismo dos reis. Foi este grupo, que começou a forjar, nos encontros secretos, a Independência do Brasil, que sem partidos políticos, foi a maçonaria servir como veículo de aglutinação dos diversos grupos dispersos que sonhavam com a criação da nação brasileira, e nela, um Estado democrático.
 
Muitos irmãos vislumbravam a Independência do Brasil, o regime republicano, e o fim da escravidão negra, pensamento dos franco-maçons da Linha Vermelha, onde estava o grupo do Capítulo parnaibano. Apesar da escravidão, regime trabalhista de sua época, dono de um dos maiores plantéis de escravos do Brasil, com Simplício Dias da Silva não se conta na História de Parnaíba, revolta de negros, ou a presença de quilombos, ocorrências verificadas em todo resto da Província do Piauhy. No ano de 1845, sob orientação da maçonaria, o parlamento britânico decretou o fim do tráfico de escravos africanos no Oceano Atlântico, com o Slave Trade Suppression, ou Aberdeen Act, conhecido no Brasil como Lei Bill Aberdeen, início do caminho rumo à abolição da escravidão.  
 
Na Idade Média, a Ordem dos Cavaleiros Templários, a Ordem de Cristo, e outras organizações que estruturaram a maçonaria, trabalharam em grandes conquistas para a Igreja Católica. Durante o processo de Independência do Brasil, até o fim do período imperial, padres e maçons estiveram juntos nas decisões políticas. Quando Dom Pedro percebeu a aproximação da separação do Brasil de Portugal, contava com três grupos basicamente: os portugueses que não queriam a Independência; os brasileiros ricos que estudaram na Europa e se reuniam nas sociedades secretas já tramando a liberdade do Brasil; e o povo que não fazia parte dos dois grupos anteriores e sem poder de influência para apoiar ideológica e financeiramente a política do imperador, que era, a princípio, conservar os reinos unidos de Portugal, Brasil e Algarves. Foi assim, procurando apoio, que Dom Pedro se aproximou dos irmãos maçons e foi declarado Gão-Mestre do Apostolado da Nobre Ordem dos Cavaleiros da Santa Cruz, e, Defensor Perpétuo do Brasil.   
 
Simplício Dias da Silva desde os relatos de Henry Koster, em 1811, já recebia, na Casa Grande da Parnahiba, ilustre maçons, brasileiros e estrangeiros, homens que faziam uso da razão para construir, pelo espírito iluminado, a cidade humana. Eram pessoas de alto grau de instrução, abertos ao mundo e a sua transformação, baseados no vasto domínio do pensamento e da ação, ilustrados no Enlightment, o iluminismo inglês.
 
Para esse trabalho, Simplício Dias da Silva e irmãos fundaram, debaixo de grande sigilo, a Loja maçônica Independência, na então Vila de São João da Parnahiba. No Piauí, só este grupo tinha compreensão dos rumos que tomavam as operações políticas, em prol da criação do Estado nacional - o Brasil, irmãos que participaram da luta pela emancipação do pensamento e da vida dos homens. O Apostolado marcou, então, o dia 12 de Outubro de 1822, para a proclamação da Independência do Brasil e a aclamação de Dom Pedro, como primeiro Imperador do Brasil. Todas as Lojas deveriam repetir o feito acordado no Rio de Janeiro. Por conta deste acerto, a Vila de São João da Parnahyba proclamou a Independência do Brasil, no dia 19 de Outubro, marco histórico do Dia do Piauí
 
 
Simplício Dias da Silva, refinado jacobino e pedreiro livre, sob o piso da Loja Maçônica Independência, na vila de São João da Parnahiba. Imagem do Almanaque da Parnaíba. Placa do Museu do Ipiranga, São Paulo, SP.
 
Ao se aproximar dos 240 anos de seu nascimento, em 2013, Simplício Dias da Silva deve ser lembrado com o respeito que sempre a sociedade parnaibana lhe rendeu, principalmente nos textos do Almanaque da Parnaíba de Benedicto dos Santos Lima, Euclides de Miranda, Alarico da Cunha, Orfila Lima dos Santos, e não com mitologia barata dos envoltos a produzir romance vulgar, ou com a negativa dos afeitos a teorias supostamente nobres.
 
José Francisco de Miranda Osório, irmão maçom de Simplício Dias da Silva e prócere do 19 de Outubro de 1822, a Proclamação da Independência do Brasil, na Vila de São João da Parnahiba, na Província do Piauhy, afirmava que “ninguém é grande nem pequeno neste mundo pela vida que leva pomposa ou obscura. A categoria em que temos de classificar a importância dos homens deduz-se do valor dos seus atos que eles praticam, as idéias que difundem e dos sentimentos que comunicam aos seus semelhantes”.
 
Ouse Saber! É o lema das Luzes de Emmanuel Kant. E o progresso da humanidade é um desejo de todos os homens de caráter ilustrado. Auguste Comte, ao criar o seu pensamento positivo de progresso, não lhe escapou a genialidade de Isaac Newton, tido como o Primeiro Físico, mas, o Último Mago, inventor do zero, no cálculo integral, vetor de mudanças. Grandes homens da História Universal, todos ligados pelas galerias das sociedades secretas, grandes personagens que contribuíram para o avanço da humanidade. Os três pontos, as três luzes: a beleza para ornar, a força para sustentar e a sabedoria para conceber, também eram ideologia do ilustre maçom da Parnaíba: Simplício Dias da Silva.
 
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