31 anos depois, encontrei minha mãe por meio da internet

Nem sempre damo-nos conta do que de fato desejamos, ou simplesmente, os atropelos da vida nos levam a caminhos que tais sonhos ficam pra trás . Foi assim que pensei

quando depois de várias tentativas não conseguia encontrar minha mãe.

Gostaria de iniciar esta matéria ressaltando um pouco do histórico de minha vida. Nasci dia 12 de outubro de 1979, na cidade de Brasília, provavelmente deve ter sido no HRT – Hospital Regional de Taguatinga. Minha mãe chamada Leude, da cidade de Turiaçu/ Maranhão, separada, já tinha outros três filhos; minha chegada certamente não foi em um bom tempo, ainda mais porque o meu pai era um sujeito piauiense casado e com oito filhos.

Ocorre que depois de um relacionamento pouco duradouro a gravidez de minha mãe serviu exatamente para por fim a tal situação.

Depois que nasci minha mãe disse por meio de uma carta que, depois que eu nascesse viria deixar-me aqui no Piauí; a resposta da carta foi dada pela esposa de meu pai que disse, que se isso ocorresse, ela mesma, se encarregaria de por um fim em minha vida.

De uma maneira totalmente inesperada, fui trazido para Parnaíba, e depois de pouco tempo conheci a família de meu pai, sua esposa e eu ficamos amigos e ela acabou aceitando o filho de fora do relacionamento...

Voltarei a relatar a forma como vim parar aqui, minha mãe conheceu uma senhora de nome Luzia, com um casamento de 15 anos e nenhum filho. Acabou que a amizade entre elas resultou no, meu batismo e posteriormente, a senhora citada, virou minha mãe adotiva. Seu marido a abandonou e ela vindo de Brasília trouxe-me consigo. Daí em diante, nunca mais soube-se de noticias de minha mãe biológica.

Por inúmeras vezes chorei imaginando que se minha mãe estivesse ao meu lado, poderia não estar passando por certas situações, toda criança ou adolescente precisa de alguém, principalmente sua mãe, ainda mais quando este tem uma forte característica que o diferencia das crianças tidas como normais, no conceito social. Por varias vezes escrevi cartas a programas de televisão, fui também à cidade onde nasci em busca de informações que me levassem a minha mãe, tudo foi em vão, principalmente quando no hospital em que nasci, me informaram que todos os registros de crianças nascidas de 86 pra trás haviam sido incendiados.

Minha última chance, acho, que era procurar minha mãe por meio da internet. Há três anos criei um Orkut, saí selecionando e adicionando pessoas que nem conhecia, contei parte de minha história e quando menos esperava consegui realizar o sonho que tinha como maior. Não acredito muito que isto esteja sendo verdade.

Conversei com minha mãe por meio de um telefone deixado por uma amiga da filha de um irmão de minha mãe. Hoje ela tem 67 anos vive paralitica devido a uma queda; mora com um de seus filhos. Nesse feriado tinha quase tudo para nos encontrarmos, não deu certo, mesmo assim fiz questão de estar contando minha história para que sirva de exemplo. Cada um de nós, precisamos que nos contem uma historia boa, para que renasça em nós a esperança de que uma determinada situação possa vir a ser mudada, torcendo que para melhor, é claro.

Wellington de Araújo Alves