As lutas de Lauro Correia

Rio Parnaíba

Esta madrugada, sem que eu saiba o motivo mais imediato, sonhei com o Dr. Lauro Andrade Correia, numa situação relacionada com educação e vestibular. Mas não recordo os detalhes do sonho. Esse cidadão pertence a importante estirpe oriunda do Rio Grande do Norte, que chegou ao litoral piauiense em 1863, portanto há quase 150 anos. Teve importantes membros, que exerceram elevadas funções, mesmo em nível nacional, cuja enumeração não cabe na moldura de um diário.

Vários foram prefeitos de Parnaíba, inclusive o Dr. Lauro Correia, grande tribuno, intelectual e escritor, cidadão probo e digno, sempre cavalheiro no trato pessoal. Metódico e organizado, em sua gestão à frente do município de Parnaíba, institucionalizou a bandeira, o hino e o brasão municipais, além de ter contribuído para a legislação local, tomando a iniciativa de leis relacionadas com a postura municipal e o plano diretor da cidade. Construiu o Centro Cívico, em local próximo ao belo Colégio das Irmãs, nas proximidades da bem arborizada Praça São Antônio, sombreada pelos frondosos e vetustos oitizeiros.

Em seus 85 anos, como intelectual e cidadão participativo, ainda prossegue em sua campanha civilista, em prol da construção do porto de Luís Correia, que parece ser tão interminável quanto o manto de Penépole, e em favor da navegabilidade e conservação do Rio Parnaíba, que cada vez mais vem se degradando de forma contínua, por causa do desmatamento das matas ciliares, da poluição e da agricultura de manejo predatório, que visa apenas ao lucro fácil e imediato. 

Quando assumi a presidência do Diretório Acadêmico “3 de Março”, em 1978, Dr. Lauro, além de presidente da FIEPI, diretor do SESI e diretor administrativo da indústria Moraes S/A,  era o diretor do Campus Ministro Reis Velloso – UFPI, ao qual, no regime militar de então, era vinculada a agremiação acadêmica. No auge de minha juventude e entusiasmo, no dia de minha posse, com a presença de vários estudantes vindos de Teresina, entre os quais o hoje historiador e professor Fonseca Neto, fiz inflamado e combativo discurso, em que prometi, seguindo a tendência da época, reformar o estatuto da entidade, para desatrelá-la da administração da UFPI, o que de fato consegui fazer.

Logo no dia seguinte ou um pouco depois, Dr. Lauro solicitou-me uma reunião entre ele e a minha diretoria. Nesse encontro, com a sua lhaneza de sempre, com o seu raciocínio lógico e fundamentado, falou do bom entendimento que deveria existir entre a direção do campus e o diretório acadêmico. Devo dizer que mantivemos um bom relacionamento administrativo, e que ele me ajudou em vários eventos e realizações de minha gestão, como a recuperação dos equipamentos de jogos, frete do ônibus que conduzia estudantes para o campus, impressão de coletânea de poemas e cartaz poético, realização de torneio futebolístico, passeio turístico a Barras, jornada universitária, ciclo de palestra, curso de férias, etc.

Passei a admirá-lo e me tornei seu amigo nesses longos anos. Procurei seguir muitas de suas lições. Terminei estreitando amizade com seus filhos Israel, poeta, professor universitário e compositor de mérito, e Gardênia. Muitos anos depois, tive a honra de assumir cadeira da Academia Parnaibana de Letras, quando ele era o seu dinâmico presidente, de cujo silogeu foi um dos fundadores.

Sucedi a monsenhor Antônio Monteiro de Sampaio, um dos maiores oradores sacros do Piauí, que foi também um de meus antecessores na Academia Piauiense de Letras. Muitas vezes tenho visitado Dr. Lauro, em sua casa na rua Simplício Dias, em companhia de seu sobrinho Canindé Correia, meu compadre e amigo de longa data, oportunidade em que entabulamos agradável conversação, sobre história e cultura.

 

Elmar Carvalho

Por: elmar