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Rapidinhas

"Palmas para os prefeitos de Água Branca, Valença, Floriano, Teresina e Parnaíba - únicas cidades do Piauí com mais de 60% das casas cobertas por serviço de coleta de lixo. Segundo o IBGE, somente 44% das casas piauienses têm a coleta.", publicou o jornalista Claudio Barros em sua página pessoal.
Apesar da boa notícia para os que estavam esperando desde 2009, o chamamento para assumir vaga nos quadros da PM não contempla Parnaíba. Os novos soldados serão destinados para os batalhões nas cidades de Picos, Piripiri e Teresina. A região litorânea tem apenas 300 homens para cobrir toda a área.

Projeto Cultura e Renda: preservação e difusão da renda de bilro.


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Sexta feira (17), as rendeiras da Ilha Grande do Piauí inauguraram a nova sede da Casa das Rendeiras e encerraram o Projeto Cultura e Renda: preservação e difusão da renda de bilro.

Na oportunidade, formou-se um alegre bate papo, entre Bernardo Portela, Jaqueline Melo, Silvia Sasaoka e Socorro Reis, relembrando o início de toda aquela parceria.

Bernardo Portela acompanha o trabalho das rendeiras desde que foi gerente da loja de artesanato no Porto das Barcas e lembra que as rendeiras expunham o trabalho na loja, que tanto comprava, como recebia em consignação e que em várias oportunidades os produtos e os artesãos eram levados por eles, para as feiras.
 
Dona Socorro lembrou que recebeu convite, juntamente com as rendeiras: Ceição, Norinda, Graça, Chiquinha e Mariana, para uma reunião no Colégio João Batista Costa, com Jaqueline Melo, que informou seria construída uma casa para as rendeiras, mas para que a casa fosse construída, precisava constituir a associação.

Jaqueline Melo é consultora em projetos sociais de grupos de artesanatos e dirigia o Programa Estadual de Artesanato na época.
 
 “A renda dos Morros da Mariana sempre foi muito conhecida dentro do segmento artesanal do Piauí, mas não havia organização, não tinha um grupo formalizado. Fizemos um trabalho com a comunidade, trabalho de formiguinha mesmo, visitando casa a casa, conscientizando e fazendo essa mobilização. Foi aí a primeira semente plantada nesse projeto. Depois foi criada a associação, que não foi fácil, pois as mulheres não queriam sair de suas casas pra vir trabalhar na sede. Logo depois da criação conseguimos um recurso a fundo perdido através do Banco Mundial e da Secretaria de Planejamento para construção da sede própria, então inauguramos a primeira sede das rendeiras, nos Morros da Mariana. Foi um processo longo de capacitação na questão do associativismo, gerenciamento, pra que elas tivessem preparo pra gerir seu próprio negocio. A associação é uma pequena empresa. Outras entidades apoiaram a associação: a ONG chamada CASA, coordenada por Silvia sasaoka, SEBRAE e o próprio Governo do Estado.”
 
“O fato das rendeiras saírem de suas casas para a associação, para juntas realizarem o trabalho, profissionaliza e fortalece diante qualquer dificuldade, pois elas têm o suporte da organização, para realizar qualquer ação. Não há muitas interrupções no trabalho, como no lar devido inúmeras ocupações, daí o rendimento ser maior", disse Silvia.
 
Silvia trabalhou no Museu “A CASA” junto com a Gisele, no projeto de moda e artesanato. Na oportunidade, convidaram o estilista Valter Rodrigues para fazer a primeira coleção do São Paulo Fashion Week, em 2001. Foi onde tudo começou. Nessa época eram oito rendeiras, graças a esses impulsos, hoje são cento e vinte associadas. Depois desse projeto, o Valter Rodrigues continuou fazendo encomendas e vieram outros estilistas. As rendeiras conseguiram chamar a atenção de turistas e saíram muito na mídia.
 
Em 2004, elas queriam aprender coisas novas, e Silvia providenciou a vinda de três designers da Holanda, que ficaram morando nos Morros da Mariana durante dois meses. Os designers freqüentaram a associação durante esses meses, apreendendo a estrutura da renda pra criar novos modelos. A partir daí, as rendeiras criaram os primeiros acessórios de moda, introduzindo novos materiais: crina de cavalo, cores, o que deu bastante renda financeira. Os adereços: gargantilhas, pulseiras, broches, saiam mais fácil para os turistas. A criação de um broche em renda serviu de inspiração para o Valter quando fez o desenho da roupa da dona Letícia, ele viu a camélia, gostou e pediu que a dona Socorro desenvolvesse um tecido com aquela flor, e esse tecido foi o escolhido, para a confecção da roupa usada pela dona Letícia na posse do presidente Lula, o que deu muita visibilidade.
 
Silvia conta ainda, que em 2005 foi encontrada na casa de uma rendeira muito antiga, uma caixa de sapato com pedaços de renda muito antigos, cerca de setenta anos atrás, com pontos raríssimos que ninguém mais sabia fazer. A Gisele ficou pensando como fazer para que o trançado das rendas pudessem ser aprendidas por novas rendeiras. Pra apreender essas rendas mais complexas, teriam que parar tudo e ficar quase um mês aprendendo a fazer aquele ponto, precisava de um projeto.
 
Silvia Sasaoka coordenadora técnica e Gisele, escreveram e inscreveram o projeto em 2005 no edital da Petrobrás 2005/2006 Projetos Patrimônio Cultural pela preservação e difusão da renda de bilro. O projeto foi aprovado em 2006 pela Petrobrás e o recurso chegou em 2008. Iniciamos em maio de 2008 com a primeira visita.
Objetivo:
Adequação dos espaços - ampliação do espaço de trabalho para tornar centro de referência de renda de bilro do Piauí
 
O projeto realizou oficinas de catalogação, documentação, troca de saberes, encontros com rendeiras do Ceará e Florianópolis. As rendeiras foram levadas aos Estados para falar de seu trabalho e escutar; aprender a fazer pesquisa; fazer estudo comparativo e depois repassar pras colegas.
 
Sílvia diz ser suspeita pra falar sobre a qualidade da renda do Piauí em relação aos outros Estados, por que tem um olhar muito afetivo, “Mas tenho certeza de que são muito boas, se não são melhores.”
 
Hoje, as filhas das rendeiras estão aprendendo a mexer com banco de dados, catalogando fotos, rendas, de forma que quem quiser fazer pesquisa sobre renda, vai encontrar tudo muito bem arquivado.
 
“Não é qualquer grupo que consegue receber um projeto desse porte”, afirmou Sílvia.

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