Artigo: Parnaíba, cidade sem estátuas.

Monumento do Sesquicentenário da Independência

Uma cidade que acaba de comemorar seus trezentos anos como povoamento, mas não tem estátuas. Curioso, mas Parnaíba, que tem uma história política e econômica das mais importantes no Brasil e no Nordeste, não cuidou de erguer entre seus monumentos as estátuas,

Na praça da Graça, onde em outubro de 1822 um grupo de homens influentes chegou a proclamar a independência do Brasil, uma estátua sequer tem. Nem mesmo de Simplício Dias, a maior figura política deste movimento mereceu homenagem de igual tamanho.

Tem quando muito, um simples monumento, bem simples mesmo, o da Independência, em frente à Câmara Municipal, bem abaixo da importância daquele feito de 1822, construído para as comemorações do primeiro centenário da independência do Brasil e do Piauí. Mas estátua mesmo que é bom, ali, nada.
Passeando pela cidade e seu centro histórico o que podemos encontrar são monumentos ou obeliscos, mas que não representam a figura humana. Mais adiante, já na praça de Santo Antonio,vamos encontrar um, construído e inaugurado em 1944 para as comemorações do 14 de agosto, quando Parnaíba comemorou seu centenário de elevação à categoria de cidade. Pela sua importância, parece que não vem sendo cuidado pela população.

Outro exemplo da falta de estátuas está na Águia, monumento erigido para homenagear o prefeito Ademar Neves, considerado o “remodelador da cidade”. De início ficava na avenida Getúlio Vargas, mas foi deslocado para a São Sebastião no cruzamento com a Chagas Rodrigues, quando houve a necessidade de se construir a Ponte Simplício Dias.

Mais perto, podemos encontrar outro monumento, o do Sesquicentenário da Independência, construído e inaugurado em 1972, um período de grande ufanismo em todo o Brasil e de simpatia pela Revolução de 1964. É um conjunto de três prismas retangulares revestidos de placas de mármore e pela indicação, representam os três centros políticos do Piauí que lutaram pela independência, Parnaíba, Campo Maior e Oeiras. Lembra também os líderes do movimento separatista, Simplício Dias, João Cândido de Deus e Silva e Miranda Osório.

Mas em se tratando de bustos, a historia da cidade está cheia deles. Podem ser encontrados nos mais diferentes lugares, o do comerciante e industrial inglês James Frederick Clark, no Centro Cívico, o do industrial José de Moraes Correia, na frente do edifício da Federação das Indústrias, de Ranulfo Torres Raposo, no pátio externo do SESC, do engenheiro Miguel Furtado Bacelar, na Esplanada da Estação e mais distante do centro da cidade, o do deputado federal Pinheiro Machado, na avenida que leva seu nome e que tem início no cruzamento da avenida São Sebastião e termina no bairro Sabiazal, na entrada de Parnaíba.

Dando um salto, bem que não ficou a Parnaíba mal servida de estátuas. No bairro da Guarita, na avenida Princesa Isabel, tomada por um ponto de taxi, trailers, perto de um mercado público, enfrentando o barulho e a insolência dos pombos, vamos encontrar uma estátua, se bem que não tão bem esculpida de São Francisco, logo ele, o santo defensor dos animais Mas nem tudo é esquecimento ou indiferença pelo vulto histórico perpetuado em bronze da cabeça aos pés. Simplício Dias tem a sua estátua, no pátio em frente ao gabinete do prefeito, no distante bairro Pindorama, bem distante da praça da Graça, lugar onde há 189 anos realizou seu maior feito político.

Pádua Marques para o Proparnaiba.com