O soldado, o porto e a doméstica.

A construção de um porto marítimo no Piauí certamente que ainda encontra muita opinião contrária, inclusive de piauienses e parnaibanos, dentro e fora de nossas fronteiras.

Claro que, pelo tempo que demorou em tomar vulto a atual construção, se passaram muitas gerações que não sentiram de perto esta necessidade. Uma necessidade de o Piauí correr atrás do tempo perdido e alcançar assim como seus vizinhos o pleno desenvolvimento.
O Piauí passou em relação ao porto marítimo quase dois séculos paralisado e apenas vendo seus colegas da região Nordeste concorrendo com os outros estados do Sudeste e do Sul garantindo divisas para suas economias. Foi necessário muito empenho para que o atual estágio de sua construção chegasse a este ponto. Muitos parnaibanos não estão dando a mínima importância para o que representa esta construção. Naturalmente são aqueles parnaibanos que, pela ignorância ou timidez não acreditam em nada.


Porque são parnaibanos e piauienses que permaneceram longas e longas décadas sem ver e sentir qualquer sinal do que seja desenvolvimento. Então para estes parnaibanos ficou mais fácil desacreditar em tudo. Lamentavelmente é gente que muitas vezes temos que suportar a presença em rodas de conversa, reuniões e cerimônias públicas ou privadas.
Mas o Piauí bem que merece este porto. Passou um tempo danado vendo os outros se dando bem na vida e, convenhamos, se Minas Gerais, o Mato Grosso e o Mato Grosso do Sul fossem gente de carne e osso morreriam de inveja do Piauí, que tem 66 quilômetros de mar e até agora não tem porto. Estes três estados brasileiros pagam muito caro pela utilização de Tubarão, Santos e Paranaguá.
O Piauí está atrasado. Sem um porto, isolado no Nordeste, fica mais parecendo um soldado marchando no pelotão com o passo errado e pisando o próprio calcanhar. Sem querer ofender a categoria, se o Piauí não concluir seu porto de Amarração, vai continuar trabalhando de graça para o Ceará.
Igual a essas empregadas domésticas que chegando a nossas casas ainda meninas, sem peito e calçadas com sandálias de dedo, ganham a confiança da patroa, criam nossos filhos e netos, preparam nossa sobremesa, a ceia de Natal e Ano Novo e no fim da vida têm apenas o direito de ouvir seu radinho de pilha e dormir num quartinho dos fundos como se fosse “gente da família”.

Antonio de Pádua Marques Silva.
 

Por: historica