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Rapidinhas

A suposta venda da Ilha do Caju para Eike Batista novamente é assunto na imprensa, dessa vez quem levantou a questão foi o jornalista Pedro Alcântara da Antena 10 e 180 Graus. O Proparnaiba fará contato com os proprietários para confirmar se a informação procede, como fizemos no começo de janeiro.
A edição deste mês da Revista Cidade Verde, nas bancas em todo o Piauí no próximo dia 13, terá matéria sobre os números do Projeto Tartarugas do Delta em 2011. Na publicação será apresentado o número de filhotes que nasceram, encalhes vivos e mortos, além de estatístisticas de Educação Ambiental.

Seu Lunga: delicado máster tal papel de enrolar prego


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De passagem por Juazeiro do Norte no Ceará precisava eu realizar o sonho de conhecer um ídolo, “Seu Lunga” é uma das raras figuras que admiro e certamente não perderia a oportunidade real de conhecê-lo.

Para início de conversa o lendário personagem merece respeito pelo simples fato de quebrar todas as regras comerciais possíveis: péssimo atendimento, o layout da loja é no mínimo cavernoso, os produtos são de qualidade duvidosa e o cliente jamais terá razão, não é possível sequer circular dentro da loja e caso se aventure é bom ter tomado a antitetânica. Ainda sim o vendedor de sucata em pleno centro da região do Cariri só perde em popularidade para meu “padim pade Ciço”. No empreendimento comercial de Seu Lunga o cliente vai mesmo com o propósito de ser mal atendido e comprar ganha um caráter secundário.

Ao entrar em sua loja dei bom dia e como não o vi e muito menos ouvi sua resposta, repeti o cumprimento, quando escutei do meio de um amontoado de ferro velho: “já respondi, você num ouviu não?”. Tive certeza que era Lunga, o homem mais delicado do norte/nordeste do país, talvez do mundo, provavelmente do cosmo. Cheguei procurando por parafusos queria alguns para presentear colegas de língua tão afiada quanto a figura que admiro. Enquanto isso uma cliente disse que queria achar uma balança, Lunga disparou: “a senhora não vai achar nada, não perdeu nada aqui”. Rir era inevitável depois disso...

Outro chegou perguntando se tinha “ferro de carvão”. Seu Lunga é rápido e afiado: “o senhor não acha que ta perguntando errado não? O ferro que eu tenho aqui como o nome diz é de ferro e eu nunca vi ferro virar carvão. Talvez o senhor esteja querendo um ferro de engomar movido a carvão”.

Eu queria explorar mais a paciência mínima de Seu Lunga, perguntei há quanto tempo ele tinha a loja, respondeu que desde ontem. Quando o questionei sua idade falou em 12 anos, mas depois respondeu que tem 82. Quando perguntado se ele sabia que era famoso no mundo todo o próprio disse que no mundo tem 268 países e que tem deles que nunca ouviram falar do Brasil, avalie de Lunga.

Seu Lunga nunca sorri, mas seus olhos mostram alegria e vivacidade, se movimentam de forma rápida com a mesma velocidade de suas respostas. Escolhi cerca de 20 parafusos e perguntei quanto custava, ele respondeu que quanto eu quisesse pagar. Dei uma nota de 20 reais e foi nessa hora que eu realizei o propósito de ser grosso com o personagem mais bruto do Brasil: ele perguntou seu eu não tinha “uma nota mais miúda”, metralhei: “até onde sei dinheiro tem tudo o mesmo tamanho”. Foi quando ele disse que queria uma nota de menor valor. Nessa hora até ele sorriu!

O cearense não se considera uma pessoa indelicada, segundo o próprio, só não tolera perguntas mal formuladas. Penso que se adotássemos um pouco mais a filosofia “lunguiana” de ser no dia a dia, certamente não aceitaríamos tantos absurdos de forma tão natural e utilizaríamos a língua portuguesa de forma bem mais correta. Seu Lunga me cobrou cinco reais pelos 20 parafusos, o troco guardei na carteira como amuleto de delicadeza.

 

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