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Rapidinhas

A suposta venda da Ilha do Caju para Eike Batista novamente é assunto na imprensa, dessa vez quem levantou a questão foi o jornalista Pedro Alcântara da Antena 10 e 180 Graus. O Proparnaiba fará contato com os proprietários para confirmar se a informação procede, como fizemos no começo de janeiro.
A edição deste mês da Revista Cidade Verde, nas bancas em todo o Piauí no próximo dia 13, terá matéria sobre os números do Projeto Tartarugas do Delta em 2011. Na publicação será apresentado o número de filhotes que nasceram, encalhes vivos e mortos, além de estatístisticas de Educação Ambiental.

A História e o Torquato...



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(...) Em seis de junho de 1944 – Dia D – os Aliados desembarcavam na Normandia. Poucos meses depois Hitler se suicidaria, causando assim a rendição da Alemanha e posteriormente bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki,

encerrariam o capítulo da História vulgarmente conhecido como Segunda Guerra Mundial. Com o fim do conflito os Estados Unidos se consolidavam de vez como a maior potência capitalista, intensificando, a partir desse ponto, seu ambicioso projeto de “Protetor do Universo”. Nesse Período o Brasil vivia a Ditadura de Getúlio Vargas e seu ambíguo modo de viver e governar, pois ao mesmo tempo que lutava ao lado dos Americanos e Ingleses contra os regimes autoritários Europeus, mantinha seu poder aos moldes mussolinianos, ou seja, ditatoriais.

Enquanto isso - não muito distante dali - em Teresina (Piauí) nascia Torquato Pereira de Araújo Neto, em nove de novembro de 1944, filho de Heli Nunes (promotor público) e de Salomé (professora primária). Seu nascimento foi um parto difícil, como descreveria o escritor José Castello em seu artigo “Torquato, uma figura em pedaços”: 

“Seu pai, Heli Nunes, era espírita kardecista e membro da maçonaria, enquanto a mãe, Salomé, uma católica fervorosa, uma típica beata. O filho por eles gerado teve um nascimento difícil. Salomé tinha a bacia estreita e, no parto, como relata Vaz, “o bebê foi retirado a fórceps de dentro da mãe, durante uma batalha sangrenta que durou mais de uma hora”. Um movimento brusco do médico provocou um ferimento na cabeça do bebê. D. Salomé passou mais de um ano em tratamento para curar-se das seqüelas daquele nascimento. Torquato nunca deixou de se ver como filho de um trauma.”

E que traumas levariam ao jovem Torquato, anos depois, a mudar-se para Salvador? Aos 16 anos – um moleque ainda – foi estudar no colégio Nossa Senhora da Vitória, onde conheceu Gilberto Gil. Acabou envolvendo-se com a cultura soteropolitana e se aproximou de Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gal Costa. Já era década de 60 e o mundo assistia um conflito entre o capitalismo, representado pelos EUA e o socialismo, defendido pela União Soviética (URSS). No Brasil, Juscelino Kubitschek empolgava o país com o seu: "Cinquenta anos em cinco", provocando uma rápida industrialização, tendo como carro-chefe a indústria automobilística e um forte crescimento econômico, mas também um significativo aumento da dívida pública, interna e externa, pois para o tão falado crescimento, Kubitschek precisou pedir dinheiro a um país que – vocês com certeza, já sabem o nome! E, meio que envolto numa aura adolescente – festeira – cultural Torquato começou a brincar, brincar de ser músico, de ser boêmio, de ser ator... – mas calma, ainda estamos em Salvador, ainda não chegamos ao Rio de Janeiro, e novamente apelo ao escritor José Castello, pois ele pesquisou bem mais do que eu ... É com você, Castello! :

“Torquato foi um menino tímido que, desde cedo, ainda nos bancos escolares, já lia os poetas Castro Alves, Olavo Bilac, Fagundes Varela, Gonçalves Dias. Aos 14 anos, descobriu Machado de Assis. Em 1959, seguindo os passos de outro poeta piauiense, Mário Faustino, decidiu cursar o científico em Salvador. Não podia imaginar a opulência que o esperava. A Salvador do início dos anos 60 vivia grande agitação cultural. Lina Bo Bardi, Joaquim Koellreutter e Glauber Rocha eram só as figuras mais nobres num cenário em que surgia, como diz Vaz, “uma arte agressiva e de vanguarda”.  

O Jornalista e escritor Toninho Vaz lançou, em 2005, pela Editora Casa Amarela a Pra Mim, uma biografia do poeta piauiense intitulada: Pra Mim, Chega! Uma obra com 218 páginas que descerra e analisa, sobre o ponto de vista deste biografo, determinados momentos da vida de Torquato, como foi o caso da mudança de Salvador para o Rio de Janeiro com apenas 17 anos, onde vinha trazendo toda a energia criativa, oriunda de sua terra natal e anexada aos poucos (mais rico tempo em que passou na Bahia), para depois de chegar à “cidade maravilhosa”, se defrontar com um golpe militar, em pleno ano de 1964.

Para um “sensível” como Torquato, um regime militar era sentido não apenas como um novo sistema implantado, mas sim como um terrível retrocesso, um “monstro” perseguindo todas as formas de liberdade e criatividade existentes, e que o deixou cada vez mais inquieto e perturbado. Nesse contexto surge a Tropicália (...)

(...) E no dia 10 de novembro de 1972, Torquato Neto não agüentou mais viver num mundo controlado por um capitalismo ditador e opressor, e resolveu seguir o conselho do seu contemporâneo e também indignado Raul Seixas, optando por não “sentar num trono de um apartamento, com a boca escancarada cheia de dentes, e esperar a morte chegar”. Ele se afundou nas drogas com o intuito de tentar fugir daquele sistema, e não tendo a mesma “sorte” de Raul, que morreu doente, Torquato adiantou o processo, ao se trancar no banheiro e abrir o gás. Morreu deixando esposa, filho, um livro publicado, composições (solo e em parceria), discos gravados, algumas participações em filmes e um bilhete:

"Tenho saudade, como os cariocas, do dia em que sentia e achava que era dia de cego. De modo que fico sossegado por aqui mesmo, enquanto durar. Pra mim, chega! Não sacudam demais o Thiago, que ele pode acordar". (Trecho retirado do Bilhete Suicida de Torquato Neto)

Torquato nasceu numa Ditadura Civil e morreu numa Ditadura Militar, foi adolescente na época da Guerra Fria, onde nesse período a palavra de ordem era “desconfiar”. Torquato foi um desconfiado, um radical para alguns, um gênio para outros... mas antes de tudo um homem – Como qualquer um de nós – Um fruto de seu tempo... ou o tempo foi fruto dele? A Tropicália fez Torquato ou Torquato fez a Tropicália? E será que existiu mesmo Tropicália? Então se não existiu Tropicália, será que existiu Torquato? Creio eu que as respostas para essas perguntas não representam o que há de mais importante ao se estudar Torquato. O mais interessante seria enxergar os “múltiplos Torquatos”, sem julgamentos de valor, sem enaltecimentos, mas também sem empobrecimentos de caráter, aí sim, dessa maneira, entenderíamos pelo menos um pouco mais do que foi essa “célebre e fúnebre figura”... Este homem que foi um... Herói ou Vilão? Santo ou Demônio? Quem arriscaria um palpite? (...)

Trechos retirados do artigo do poeta e historiador Claucio Ciarlini Neto.

Quer conferir na integra esse texto? Acesse:    http://www.opiagui.com.br/2009/07/a-historia-e-o-torquato/  

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