


O som de Teófilo, embalado por gaitas, violinos, rifes distorcidos de guitarra, contrabaixo, violão, bateria, teclado, saxes e uma voz para lá de afinada, vai modelando um estilo bem descontraído e de ótimo gosto, a agradar os mais variados públicos.
A título de articulação, do lançamento do seu primeiro álbum (Com.Fusão), em 2003, só pude ter acesso muito tempo depois, por desleixo meu, confesso, e disso me arrependo, mas como diz o ditado: “há um tempo para cada tempo”; então, talvez fosse mesmo necessário aquele hiato até meus ouvidos atentarem para a voz singular, a construção harmônica e a intensidade eletrizante em um misto com o tranqüilo, expressos pela arte daquele músico. É assim que defino a música dele, dividida em duas fases, e que não compete aqui, eu, um desconhecedor pleno da música em seus aspectos de relevância crítica, sistematizá-las como se coubessem em um sistema metódico de didática, apenas as defino das seguintes maneiras: rock/pop e reggae; todavia, cabe meu entendimento, ainda, tornar claro que ambas as fases, embora possam parecer distintas nas duas obras gravadas e vastamente difundidas em nosso meio, se analisadas com cautela, ver-se-á que se intercalam como se fizessem parte de um mesmo período, não obstante saibamos que algumas das músicas contidas no segundo álbum tenham encontrado berço no primeiro e aquele demonstre amadurecimento, estilo mais arrojado e uma fase onde o músico tenha se encontrado deveras com a sua alma musical. Na época lembro que do lançamento de seu segundo álbum muitos dos fãs acostumados com o jeito rock/pop de desenvolver música não o aceitaram com muita alegria, era um preconceito besta que acabou alimentando a cabeça de muitos que nem sequer haviam experimentado da renovação do músico e, de maneira malograda, como que incapazes de um senso-crítico próprio, já estavam a julgá-lo, o que avalio, por isso, repito: pura besteira; já que o segundo trabalho, “Matulão”, lançado em 2004, se mostra ainda mais interessante e inovador. É da arte, o artista precisa variar e buscar novos horizontes, a fim de que possa sentir outros caminhos, é como uma seleção de futebol, onde faço questão de quebrar a regra de que “em seleção que se está ganhando não se mexe”, lógico que se mexe; lógico que se deve buscar ainda mais a perfeição, nem que para isso se esteja propício aos riscos, ora, não é a vida um amontoado deles – feliz daquele que arrisca, pois quem arrisca, descobre não só o acerto como a evolução. Se existisse uma escala comparativa entre música e literatura, colocaria este grande nome, derivado do latim (“aquele que tem afinidade com Deus”), na altura da obra de Assis Brasil, devido o aspecto experimentalista, pois tal qual Teófilo Lima, Assis Brasil sempre buscou, a cada livro produzido, uma inovação, uma forma diferente de escrever, nunca padronizado num só estilo, logo, mostrando-se eclético e capaz de adotar a variação, a indumentária que quisesse à hora que desejasse sem que isso prejudicasse seu trabalho, muito pelo contrário, o tornou singular e reconhecido em todo o território nacional. (*) *Trecho de uma crônica de Daniel C. B. Ciarlini. Para acompanha-la na integra e com a audição das canções de Teofilo Lima citadas no texto, acesse: http://www.opiagui.com.br/2009/07/a-musica-de-teofilo-lima/
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