


Ao longe se ouvia “Naquela Mesa”, a voz inconfundível era a de Nelson Gonçalves. A música nem mesmo findara quando ao tempo de sua relutância contra o silêncio iniciara-se o rei Roberto Carlos (É preciso saber viver...). O ambiente era multifacetado,
localizado num trecho que entrecortava a paisagem morta da cidade à margem alagada do Igaraçu e à humildade das passarelas do bairro Mendonça Clarck. No proposto, bêbados, ali, baixavam suas cabeças ante um e outro copo, mulheres sorriam vadias aos queixumes de seus parceiros, e, em variações de transeuntes, aquele inesquecível ser, misto de seriedade e simpatia, dava ouvidos aos pedidos de seus clientes. “Recanto da Saudade” era o que se lia na rústica placa que descerrava uma viagem ao tempo, onde vitrola e “chiado” entoavam uma atmosfera especial àquele recinto, até, organizado: discos ordenados alfabeticamente, trechos de supostos poemas espalhados nas paredes em justaposição às mesas que recebiam de quaisquer lados as ondas sonoras de cada modinha ou canção brasileira; eram clássicos, clássicos os LP’s, diriam existir, inclusive, raridades – sem sombra de dúvida. Ao fundo, os clientes disputavam a atenção de Augusto, afinal de contas era por ordem de pedido que ele colocava a vitrola para tocar... Talvez o Recanto da Saudade, que num passado não tão longínquo tinha o batismo de Munguba e a ordem de um dos mais afamados cabarés de Parnaíba, não fosse um bar de destaque, mas aqueles que o visitavam variavam das mais diferentes classes sociais, lá, desconsideradas pelo respeitado proprietário que não fazia distinção... *Trecho retirado de uma crônica de Daniel Castelo Branco Ciarlini. Para vizualiza-la na integra, acesse: http://www.opiagui.com.br/2009/07/adeus-munguba/
Todo e qualquer material postado na coluna é de inteira responsabilidade civil e penal do colunista.
www.proparnaiba.com - proparnaiba@proparnaiba.com
Dora Rodrigues - (86) 9402 4557 - 9479 5019
Francisco Brandão - (86) 9472 1197 - 9479 3825