Casos de suicídios no Piauí cresceram 221% em 10 anos

Assunto considerado delicado e pouco discutido nos dias atuais, o suicídio foi tema do I Simpósio Interinstitucional do Suicídio: causas e sintomas - aspectos preventivos, que reuniu, nos dias 29 e 30 deste mês, profissionais de diversas áreas

para buscar integração institucional de ações que aprimorem o conhecimento acerca das causas e sintomas do problema.

O encontro buscou estimular o desenvolvimento de ações e estratégias de prevenção no ambiente de trabalho das instituições nas diversas áreas do serviço público e da segurança pública, bem como assistência populacional em geral.

Durante o Simpósio, foi lançada a proposta de criação de um comitê estadual para combater o problema, reunindo várias instituições como Secretaria de Saúde do estado do Piauí, Polícia Militar, Secretaria de Segurança e Coordenação de Enfrentamento às Drogas, com o escopo de apresentar sugestões para tratar o tema e evitar que os casos continuem acontecendo.

A psicóloga e gerente de Atenção a Saúde Mental da Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi), Leda Trindade, afirma que o tema é delicado, mas a sua discussão é fundamental, pois a divulgação de casos é muito tímida, uma vez que afeta toda a família da pessoa que comete suicídio.

“Os familiares, quando acontecem esses casos, se questionam e se culpam pela situação. O que precisamos acabar é com a visão de que o suicida, quando está prestes a se matar, não avisa, não pede socorro. Pelo contrário, o suicida pede ajuda, mas muitas vezes não são ouvidos nem percebidos os sinais de que as pessoas podem estar em depressão e pensando em tirar a sua própria vida”, afirma.

A psicóloga afirma que o suicida, muitas vezes, chega à ação radical de tirar sua vida pela tristeza. “O suicida, às vezes, tem uma vida estruturada, com bens, com família, mas pode, em algum momento da vida, ter passado por algum drama que pode ter deixado um vazio na pessoa, o que gera a tristeza e, em alguns casos, a intenção de tirar a própria vida”, sustenta Leda Trindade.

Leda Trindade comenta que, em nível mundial, os jovens e os idosos são os que mais morrem com causa de suicídio. A gerente explica que a sociedade capitalista e as cobranças desde cedo, podem desencadear quadros de estresse e depressão, conforme é a reação de cada indivíduo.

“Existe uma cobrança do mercado para que as pessoas, desde cedo, assumam responsabilidades muito cedo, havendo cobranças e pressão por parte da família e da sociedade como um todo. Por outro lado, o idoso que, ao longo do tempo, acumulou sabedoria e passou por muitas experiências, acaba, numa fase da vida, se sentindo sozinho e com a ideia de que está dando trabalho para a família, gerando crise que pode desencadear em casos de suicídio”, explica a gerente.

Embora a tendência mundial seja o grande índice de idosos que se suicidam, o sociólogo Benedito Carlos, que desenvolve tese de doutorado de suicídios em Teresina, afirma que, a nível local, a maior incidência está apenas entre os jovens.

Teresina lidera números no Nordeste

Dados oficiais do Ministério da Saúde apontam que, nos primeiros 10 anos do século XXI, Teresina é a primeira capital do nordeste em suicídios e a segunda do Brasil, com índices que apontam 14,4 suicídios para cada grupo de 100 mil habitantes.

Teresina perde apenas para Boa Vista no estado de Roraima, cujos dados pesquisados registram 15,7 suicídios para cada 100 mil habitantes entre a população jovem de 15 a 24 anos. O Piauí é o estado em que houve o maior aumento de casos, que cresceram 221,7% em 10 anos.

O professor Benedito Carlos expõe que a Organização Mundial de Saúde associa 90% dos casos de suicídio à depressão: “Estudos afirmam que a depressão é uma das maiores causas do suicídio. O que desencadeia a depressão são as crises, sejam econômicas, pessoais ou afetivas”.

Teresina é uma cidade moderna em visão de mundo, é projetada para o futuro, mas não tem oportunidade para a população. “Isso cria no imaginário dapessoa uma sociedade com visão moderna de mundo, afetando de maneira especial, aquelas que são mais frágeis”, afirma o professor.

 

Fonte: Portal O Dia

Edição: Proparnaiba.com