Polícia Civil do Piauí decreta paralisação por tempo indeterminado

Após a convocação do Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Estado do Piauí (Sinpolpi) para assembleia geral extraordinária ocorrida nesta manhã (15), foi votado e decidido favoravelmente, por mais de 170 policiais civis presentes, pelo início de paralisação a partir do próximo dia 3 de abril, com isso, atividades em delegacias da capital e interior estarão suspensas e sem previsão de retorno.

A diretoria representativa da categoria afirma que o início do movimento estará em acordo com outras categorias, como a dos agentes penitenciários, que também irão paralisar suas atividades.

O presidente do Sinpolpi, Constantino Júnior, afirma que atos de paralisação são extremos, sendo realizados apenas quando a categoria não encontra o mínimo de acordo e interesse do governo em atender reivindicações e cumprir decisões judiciais favoráveis a Instituição Polícia Civil.

“Realizamos um movimento paredista ainda no ano de 2015, com ele conquistamos o processo de dissídio coletivo de greve com o acordo de 12 itens entre governo e policiais civis. Alguns foram cumpridos, mas os essenciais encontram-se em contínuo descumprimento por parte do governo do Estado, como o reajuste salarial previsto para o triênio de 2016-2017-2018 e o pagamento da gratificação de insalubridade”, explica o presidente.

Além da falta de reajuste e pagamento de gratificações, os policiais civis denunciam as condições precárias em que se encontram as delegacias do Piauí, principalmente na capital. Em ação civil pública, ajuizada ainda no ano de 2013, o Sinpolpi denunciou essas condições, relatando todas as necessidades enfrentadas pelos policiais civis e pela população que faz uso dos serviços.

Sobre isso, Constantino Júnior conta que houve uma decisão liminar determinando ao Estado do Piauí a realização das reformas necessárias nas delegacias de polícia da capital, a fim de disponibilizar aparelhamento e boa estrutura. Porém, o Estado entrou com um agravo de instrumento dentro do processo, com o intuito de suspender os efeitos da liminar.

“O Estado entrou na justiça para tentar suspender efeitos de decisões judiciais que serão benéficas não somente para a categoria, mas também para a população. Felizmente o agravo foi negado e, por conta disso, o Estado continua descumprindo a ordem de reformar as delegacias da capital. Isso ratifica, mais uma vez, a completa falta de interesse da administração pública em melhorar a qualidade do serviço da segurança pública”, relatou o presidente.

 

Com a paralisação, a partir do próximo dia 3 de abril os atendimentos em delegacias da capital e interior estarão suspensos, estando em exceção apenas os casos de estupro, crimes conta a vida e crimes contra crianças e idosos.

 

Fonte: SINPOLPI