O que é a APLV - Alergia à Proteína do Leite de Vaca?

Poucos meses depois de se tornar mãe de um casal de gêmeos a estudante Carine Amorim, 31 anos, se deparou com uma notícia inesperada: seus dois bebês tinham alergia à proteína do leite de vaca. A notícia pegou a mãe de surpresa e a colocou em meio a diversas questões sobre o futuro dos pequenos. “Minha maior preocupação, sem dúvidas, foi a saúde deles. Na verdade é um turbilhão de perguntas. Naquele momento, era tudo um mundo totalmente desconhecido para mim”, conta.

Apesar do susto em dobro de Carine, a alergia à proteína do leite não é tão incomum em bebês. Na realidade, a APLV é o tipo de alergia alimentar mais comum nas crianças de até dois anos, de acordo com o Ministério da Saúde. A alergia é caracterizada pela reação do sistema imunológico às proteínas do leite, principalmente à caseína e as proteínas do soro.

O momento do diagnóstico

Para o diagnóstico correto dos casos, é preciso estar atento aos sintomas. Carine começou a perceber muito cedo que havia algo diferente com os filhos, Gustavo e Maria, hoje com sete meses de idade. “Sempre suspeitei que houvesse algo errado com o Gustavo. Ele era um bebê agitado que simplesmente não dormia. Ambos apresentavam assaduras, diarreia, muco nas fezes, refluxo e dermatite. Mas, no final dos 3 meses, os sintomas foram ficando mais fortes e a diarreia começou a vir acompanhada com sangue. Nesse momento procurei uma gastropediatra que, com ajuda de alguns exames, confirmou a alergia à proteína do leite, à soja e ao ovo”, conta.

A analista da Coordenação-Geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde Simone Costa Guadagnin explica que notando os sintomas os pais precisam procurar um médico para confirmação da alergia. “A confirmação é feita pelo médico com base na história clínica e os sintomas que a criança vem apresentando. Dentre outros aspectos a serem analisados, é feita uma análise com o desaparecimento dos sintomas de 1 a 30 dias depois da exclusão da proteína do leite de vaca da alimentação da criança. O diagnóstico é fechado quando os sintomas reaparecem após o teste de provocação oral, onde é disponibilizado uma pequena quantidade de leite ou alimento que o contenha para criança e se observa se os sintomas reaparecem”, explica.

Nesses casos, os principais sinais e sintomas relacionados à APLV são:

Cutâneo: Coceira; Urticária; Inchaços na pele; Manchas vermelhas pelo corpo; Dermatite atópica.

Gastrointestinal: Náuseas; Vômitos; Diarreia; Sangue nas fezes; Refluxo gastrointestinal; Dor abdominal.

Oral: Coceira e/ou inchaço dos lábios/língua e palato.

Respiratório: Coceira e sensação de garganta fechando; Inchaço de glote e laringe; Tosse seca irritativa; Sensação de aperto torácico; Crises de espirro e intensa congestão nasal.

Cardiovascular: Dor torácica; Arritmia; Hipotensão (pressão baixa) e Choque.

Neurológico: Convulsão; Sonolência e Perda de consciência.
 

Sintomas da APLV tendem a desaparecer

Conviver com os sintomas da APLV pelo resto da vida não é uma situação comum. Simone Guadagnin explica que com o tempo os sintomas da alergia tendem a desaparecer. “Muitas crianças, com o passar do tempo, vão deixando de ser alérgicas, mas para isso é preciso seguir o tratamento corretamente. A ingestão de alimentos com leite quando a criança apresenta sintomas pode retardar o desenvolvimento da remissão da alergia. Não é possível precisar o tempo exato, pois depende muito do tipo de reação e da forma como o organismo da criança reage. Mas é importante reavaliar e realizar o teste de provocação após cerca de 6 a 12 meses de tratamento sem sintomas. ”, explica.

Cuidados com a alimentação

Com a confirmação da alergia, surgem as dúvidas sobre a alimentação das crianças. Guadagnin explica que é importante lembrar que a criança que tem alergia à proteína do leite de vaca pode manter o aleitamento materno, contudo a mãe precisa ter cuidado com a própria alimentação. “Os bebês não devem ter a amamentação interrompida, mas deverá haver a exclusão do leite de vaca e de seus derivados da dieta materna. Se a criança já estiver em aleitamento artificial é recomendável que as fórmulas infantis utilizadas atendam às necessidades nutricionais da criança e que sejam apropriadas para o tipo de alergia”, esclarece.

Carine Amorim conta que a descoberta da alergia dos filhos mudou completamente sua rotina de alimentação. “Hoje não consumo nada que possa ter contato com proteína do leite, soja e ovos. Não como fora de casa e evito ao máximo consumir produtos industrializados. Na minha casa raramente entra algo que eu e eles não podemos consumir. Mas estamos descobrindo que fazendo as substituições certas podemos comer qualquer prato”, celebra.
 

Fonte: Blog da Saúde.