Aeroporto de Parnaíba, apesar de internacional, continua sem voos

Foto: Proparnaiba.com

Quem circula de carro, ônibus ou moto pelas cidades litorâneas de Luís Correia e Parnaíba não deixa de perceber placas sinalizadas nas principais avenidas indicando o caminho que dá acesso ao Aeroporto Internacional de Parnaíba.

Se o turista que estiver nessas cidades não for do Piauí, provavelmente achará que o aeroporto está funcionando, recebendo voos regulares, como deve ser. No entanto, apesar do porte internacional, o Aeroporto João Silva Filho não recebe voos regulares nacionais e nem mesmo regionais. Administrado pela Infraero desde 2005, o Aeroporto de Parnaíba foi reformado ao custo de R$ 20 milhões, incluindo a ampliação da pista, que passou a ter capacidade para receber voos internacionais em março do ano passado.

Construído pelo Governo do Estado há várias décadas, o Aeroporto foi repassado para a Infraero numa tentativa do poder público de alavancar o turismo do litoral do Piauí e dinamizar a economia de Parnaíba, segunda maior cidade do Estado, com 146 mil habitantes. A ideia era aproveitar a localização estratégica de Parnaíba, exatamente por ser a principal cidade do roteiro Rota das Emoções – que inclui o Delta do Parnaíba, os Lençóis Maranhenses (MA) e Jericoacoaca (CE). Os empresários do setor de turismo vibraram com a iniciativa do Governo do Estado, pois a implantação de um aeroporto na região era uma reivindicação antiga do trade turístico.

Mas todo o esforço governamental não vingou. No passado, de janeiro a novembro, segundo a Infraero, apenas 2.478 passageiros embarcaram ou desembarcaram no Aeroporto, todos por meio de voos particulares. O número é quase 300 vezes menor que o total de passageiros que circulou pelo Aeroporto Petrônio Portela, em Teresina, no mesmo período. Em Parnaíba, o terminal de passageiros tem capacidade para receber 150 mil pessoas por ano. Desde 2005, o movimento mais intenso no aeroporto ocorreu em janeiro de 2007, ao receber quatro voos charters lotados de empreendedores turísticos da empresa italiana Air Italy. No entanto, a aviação comercial não vingou.

Com a dificuldade de atrair voos internacionais e nacionais, já que as empresas aéreas não demonstraram interesse, o Governo do Estado tenta agora, ao menos, atrair companhias regionais, que operam com aeronaves de pequeno porte. O secretário de Turismo do Piauí e vice-presidente do Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Turismo (Fornatur), Sílvio Leite, disse que nos estados do Nordeste, os governadores estão obstinados em fortalecer a aviação aérea regional. Umas empresas interessadas em operar em Parnaíba é o Noar Linhas Aéreas, inaugurada em junho de 2010 e que hoje opera em seis estados nordestinos: Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Rio Grande do Norte, Paraíba e Bahia. Nesse semestre, a empresa criará uma linha até o Estado do Ceará e até, o final deste ano, a Noar quer estar operando em todas as capitais do Nordeste e ligando estas aos centros urbanos do interior. Mas ainda não há previsão de quando a companhia terá voos para Parnaíba. “Porém, a possibilidade não está descartada. Vai depender de demanda de passageiros e de outros critérios”, informou a assessora de Comunicação da Noar, sediada no Recife (PE), Natália Tavares.

A Noar opera atualmente com voos que ligam cidades distantes até 400 km umas das outras, o que caracteriza o vôo regionial. Atualmente, opera nas cidades de Caruaru (PE), Recife (PE), Natal (RN), João Pessoa (PB), Maceió (AL), Mossoró (RN), Aracaju (SE) e Paulo Afonso (BA). A empresa opera em modelo dos aviões L-410, também conhecido como LET, um bimotor turboélice com capacidade para até 19 passageiros e ideal para o transporte em pequenas e médias distâncias. O avião apresenta um custo operacional muito abaixo dos seus potenciais concorrentes.

É preciso cautela e subsídio para desenvolver o turismo, diz ABAV-PI.

O presidente da secção piauiense da Associação Brasileira de Agências de Viagem (Abav-PI), Luiz Mamede, concorda que a captação de voos regionais é a saída para o Aeroporto de Parnaíba. “As companhias aéreas nacionais não vão operacionarlizar voos para o litoral do Piauí se não verem que há demanda suficiente. A saída mais fácil seria criar uma escala numa linha entre Teresina e Fortaleza. Mas aí os passageiros não iriam gostar”, sugere. Mamede ressalta, porém, que a implantação de um voo regional para o Aeroporto de Parnaíba deve ser feita com bastante cautela, para evitar erros do passado. “Chegamos a operar uma vez, em ação conjunto de agências de viagens, companhias aéreas e operadoras turísticas, um vôo que vinha de Fortaleza, passava por Sobral, Parnaíba, Teresina e Picos. Apenas o trecho de Teresina a Picos tinha demanda suficiente. O restante não respondeu às expectativas”, lembra.

O empresário ressalta, porém, que será necessário, num primeiro momento, haver subsídio do governo para que as empresas operem nos primeiros meses sem prejuízo. Só depois, com o tempo, o próprio mercado permitirá que operem sozinhas.

Situação atípica de Parnaíba ganha destaque na imprensa nacional

Enquanto os grandes aeroportos do Brasil estão saturados de voos e passageiros, a situação atípica do Aeroporto de Parnaíba – que tem espaço de sobra e voos de menos – atraiu a atenção da imprensa nacional. No mês de dezembro do ano passado, uma reportagem na Folha Online denominou o Aeroporto de Parnaíba de “Elefante Branco” – obras de grande porte que não têm utilidade.

A reportagem falava de como os aeroportos mudam a economia de pequenas cidades do Brasil. Na cidade de Sinop (MT), a instalação de um aeroporto municipal estimulou a abertura de uma unidade da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), um quartel do Exército e criação de empresas. Em Araguaína (TO) ocorre o mesmo fenômeno. A fabricante de gelatinas Gelnex não construiria uma unidade no município de 120 mil habitantes se o aeroporto local não estivesse operando.

A reportagem destaca que Parnaíba (PI), apesar de localizada perto de alguns dos principais roteiros turísticos do Nordeste, não consegue atrair demanda aérea. Segundo a Folha Online, empresários locais dizem que a falta de voos regulares limita o potencial turístico da região. A Azul disse que não há estatísticas comprovando que a demanda de Parnaíba justifique a criação de uma rota regular. As outras empresas não se pronunciaram.

Jornal O Dia.

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